Cientistas da Stanford Medicine, na Califórnia (EUA), e de instituições internacionais deram um passo histórico no combate à cegueira provocada pela degeneração macular relacionada à idade (DMRI) — uma das principais causas de perda irreversível da visão no mundo.
Um microchip implantado no fundo do olho, em conjunto com óculos equipados com câmera, devolveu a capacidade de leitura e reconhecimento de formas a pessoas que não conseguiam mais distinguir palavras impressas. Os resultados do estudo clínico foram publicados nesta segunda-feira (20) na revista científica New England Journal of Medicine.
O dispositivo, chamado PRIMA, é o primeiro implante ocular capaz de restaurar visão funcional em pacientes com perda de fotorreceptores — células da retina responsáveis por captar a luz. Diferente das próteses anteriores, que apenas permitiam perceber clarões, o PRIMA forma imagens simples e legíveis.
“Somos os primeiros a oferecer visão de formas”, destacou Daniel Palanker, professor de oftalmologia da Stanford e coautor do estudo.
Ao todo, 38 pacientes receberam o implante, e 32 foram avaliados após 12 meses. Dos participantes, 27 voltaram a ler textos, e 26 apresentaram melhora clínica significativa na acuidade visual. Alguns chegaram a atingir desempenho equivalente a uma visão de 20/42, especialmente ao utilizarem os recursos digitais dos óculos, como zoom e contraste reforçado.
O avanço é considerado um marco na oftalmologia moderna, reacendendo a esperança de milhares de pessoas com perda visual severa e abrindo caminho para novas terapias que unem biotecnologia e inteligência óptica.
