Cientistas finalmente desvendaram um dos mistérios mais preocupantes do diabetes tipo 1: por que a doença é muito mais grave e agressiva em crianças pequenas, especialmente nas que têm menos de sete anos. Segundo a nova pesquisa, o motivo está no pâncreas ainda imaturo, que nessa fase da vida está em pleno desenvolvimento — o que torna suas células muito mais vulneráveis ao ataque do sistema imunológico.
O diabetes tipo 1 ocorre quando as defesas do corpo atacam as células beta do pâncreas, responsáveis por produzir insulina e controlar os níveis de açúcar no sangue. Como essas células ainda estão em formação nas crianças menores, o impacto da agressão autoimune se torna muito mais severo.
Os pesquisadores afirmam que novos medicamentos podem, no futuro, dar mais tempo para o pâncreas amadurecer, retardando o avanço da doença em crianças pequenas e reduzindo complicações.
O estudo traz também histórias que ilustram o drama das famílias. Gracie, diagnosticada aos oito anos após adoecer repentinamente no Halloween de 2018, quase morreu em menos de 48 horas. Seus pais precisaram aprender rapidamente a controlar tudo: alimentação, níveis de glicose, aplicações de insulina. Hoje, com monitoração contínua de glicose e bomba de insulina, Gracie “está mandando muito bem com o diabetes”, conta o pai, Gareth.
Publicado na revista Science Advances, o estudo da Universidade de Exeter analisou amostras de pâncreas de 250 doadores, permitindo mapear como as células beta se desenvolvem ao longo da vida — e como elas são destruídas no diabetes tipo 1.
A descoberta abre caminho para novas terapias mais eficazes e específicas para proteger as crianças, especialmente as mais novas, que enfrentam as formas mais agressivas da doença.
