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O pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, se aproximou nos últimos meses do economista Nelson Marconi, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em busca de propostas para seu programa de governo. A equipe do presidenciável, segundo reportagem do Jornal O Estado de São Paulo, já fez duas rodadas de reuniões no fim do ano passado na casa do economista em São Paulo. Os encontros foram em novembro e em dezembro. O próximo deve ser ocorrer no fim de março.

Durante as reuniões com Nelson Marconi,  Ciro estava acompanhado pelo irmão e ex-governador   Cid Gomes e pelo secretário da Fazenda do Estado, Mauro Benevides Filho. Mauro foi Secretário de Finanças do Município de Fortaleza na gestão Ciro Gomes (1989-1990) e, atualmente, ocupa, pela terceira vez, o cargo de Secretário da Fazenda.

Segundo a reportagem do Jornal O Estado de São Paulo, Marconi faz parte da Associação Keynesiana Brasileira (AKB) e integra o grupo dos pesquisadores do Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo, também da FGV. Nos últimos anos, participou de forma ativa do debate econômico. Criticou, por exemplo, a valorização cambial e a perda de participação da indústria na economia.

“Ciro tem um projeto de desenvolvimento para o País, o que não significa necessariamente o mesmo estilo Dilma”, afirma Marconi. “Ele tem clareza de que é preciso alguns preços macroeconômicos ajustados, câmbio competitivo, a taxa de juros mais baixa, e poupança pública para poder financiar os investimentos públicos.” Na atual pré-campanha, Ciro tem procurado se posicionar como um nome de centro-esquerda e, nas questões econômicas, procura adotar um discurso mais moderado como forma de fazer um contraponto ao PT.

A assessoria do presidenciável informou que Marconi tem colaborado com a discussão do programa de governo e que deve ter um papel importante na campanha presidencial. O primeiro contato entre Ciro e Marconi ocorreu em julho de 2016 quando o presidenciável participou de um evento interno no Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo.

Em janeiro de 2017, voltaram a se encontrar por meio do ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira.

Nas reuniões realizadas no fim do ano passado, houve a participação de economistas de diversas instituições de ensino – da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Unicamp e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) – , de nomes do mercado financeiro, dirigentes de associações e empresários.

“Não são necessariamente pessoas que apoiam o Ciro, mas elas têm interesse em conhecer as propostas e eventualmente dar sugestões”, diz Marconi.

 Os principais pontos econômicos já discutidos deverão ser detalhados nos próximos meses, mas existem indícios para onde deve caminhar o plano de econômico de Ciro.

Na parte fiscal, o grupo discute a possibilidade de ter um regime de capitalização. “Não seria uma mudança abrupta, mas é preciso pensar se é possível fazer essa transição e como fazer”, diz Marconi, na conversa com a reportagem do Jornal O Estado de São Paulo