CNM alerta para demanda reprimida no Bolsa Família e diz que quase 2 milhões de famílias seguem sem benefício

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Apesar de ser referência mundial no combate à desigualdade social, o Programa Bolsa Família ainda enfrenta problemas distributivos e apresenta uma forte demanda reprimida em todo o País, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

Os dados serão apresentados nesta semana durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília, e apontam que cerca de 2 milhões de famílias aptas ao programa continuam fora da cobertura social.

O Bolsa Família, ampliado no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou ao pico de 21,3 milhões de famílias atendidas em 2023. Atualmente, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o número caiu para aproximadamente 18,9 milhões.

REDUÇÃO NÃO SIGNIFICA MELHORA SOCIAL

Para a CNM, a redução de 2,4 milhões de beneficiários não representa necessariamente melhora nas condições de vida da população mais pobre.

O presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, afirma que existe uma demanda reprimida equivalente a cerca de:

  • 2 milhões de famílias;
  • ou aproximadamente 3,2 milhões de pessoas.

Segundo ele, muitos brasileiros atendem aos critérios do programa, mas seguem sem receber o benefício devido à limitação orçamentária.

“O governo federal está deixando quase 2 milhões de famílias sem o benefício, e essas pessoas acabam procurando ajuda nas prefeituras”, afirmou Ziulkoski, que apresenta, hoje, os dados completos sobre o Bolsa Família.

SÃO PAULO E RIO LIDERAM DEMANDA

O levantamento da CNM mostra que:

  • São Paulo possui cerca de 375 mil famílias desassistidas;
  • enquanto o Rio de Janeiro registra aproximadamente 358 mil famílias fora do programa.

Em número de pessoas, isso representa:

  • 612 mil paulistas;
  • e 571 mil fluminenses sem acesso ao Bolsa Família.

Os dados correspondentes aos demais estados da Federação, com foco na Região Nordeste, serão revelados durante a Marcha dos Prefeitos. O repórter Satiro Sales destaca, no Jornal Alerta Geral, o estudo da CNM sobre o Bolsa Família.

IMPACTO NAS PREFEITURAS

Segundo a CNM, a exclusão dessas famílias tem aumentado a pressão financeira sobre os municípios, que acabam absorvendo demandas sociais sem receber compensação adequada da União.

A entidade calcula que a inclusão desse contingente no programa teria impacto adicional de aproximadamente R$ 1,5 bilhão.

Ziulkoski também contestou o discurso de que milhões de famílias deixaram o Bolsa Família porque melhoraram de renda.

— “A verdade é que muitos não estão recebendo porque o governo não paga” — criticou.

ORÇAMENTO MENOR

Com base em dados do Siga Brasil, do Senado Federal, o estudo aponta ainda que os recursos destinados ao Bolsa Família no Orçamento deste ano tiveram redução de 0,97% em relação a 2025. O valor previsto caiu para R$ 157,5 bilhões.