Uma ameaça silenciosa ligada ao colesterol hereditário pode estar elevando significativamente o risco de AVC, doenças cardiovasculares e morte em milhões de pessoas — inclusive entre pacientes com exames tradicionais considerados normais.
O alerta surge a partir de uma nova análise internacional feita com mais de 20 mil pacientes participantes de grandes estudos conduzidos pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).
Os resultados foram apresentados nas Sessões Científicas de 2026 da Society for Cardiovascular Angiography & Interventions (SCAI) e também no encontro da Canadian Association of Interventional Cardiology, realizado em Montreal, no Canadá.
O estudo aponta que níveis elevados da chamada lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), aumentam o risco cardiovascular mesmo em pessoas que recebem tratamento convencional para controle do colesterol.
O QUE É A LP(a)
A Lp(a) é uma partícula que transporta colesterol no sangue e possui características semelhantes ao LDL, conhecido como “colesterol ruim”.
No entanto, ela apresenta uma proteína adicional que pode torná-la ainda mais prejudicial ao sistema cardiovascular.
Segundo especialistas, os níveis elevados de Lp(a):
- são hereditários;
- normalmente não causam sintomas;
- e podem passar despercebidos em exames tradicionais.
Estimativas indicam que cerca de 20% da população mundial tenha Lp(a) elevada, embora a maioria desconheça a condição.
ESTUDO IDENTIFICOU AUMENTO EXPRESSIVO DOS RISCOS
Os pesquisadores analisaram amostras de plasma de 20.070 adultos com mais de 40 anos que participaram dos estudos ACCORD, PEACE e SPRINT.
Os pacientes foram acompanhados por quase quatro anos e os cientistas monitoraram a ocorrência de:
- infarto;
- AVC;
- revascularização coronariana;
- e morte cardiovascular.
Durante o período de acompanhamento:
- 1.461 pessoas sofreram eventos cardiovasculares graves.
Entre os pacientes com níveis mais elevados de Lp(a), os riscos aumentaram de forma expressiva:
- 31% mais risco de eventos cardiovasculares graves;
- 49% mais risco de morte cardiovascular;
- 64% mais risco de AVC.
A associação foi ainda mais forte entre pacientes que já tinham doença cardíaca prévia.
EXAME SIMPLES PODE IDENTIFICAR O RISCO
O cardiologista intervencionista Subhash Banerjee, da Baylor Scott & White, no Texas, afirmou que o estudo permitiu identificar com mais precisão o nível da Lp(a) associado ao aumento do risco cardiovascular.
— Pela primeira vez, podemos quantificar o nível específico de Lp(a) que coloca os pacientes em risco significativamente maior de eventos cardiovasculares importantes, especialmente AVC e morte — destacou.
Segundo os especialistas, a identificação pode ser feita por meio de um exame de sangue simples e de baixo custo.
A recomendação médica é que pacientes diagnosticados com níveis elevados da partícula:
- controlem agressivamente o colesterol LDL;
- monitorem fatores de risco cardiovasculares;
- e mantenham acompanhamento médico contínuo.
Os pesquisadores afirmam ainda que novos tratamentos específicos para controle da Lp(a) estão em desenvolvimento e podem representar avanço importante na prevenção cardiovascular nos próximos anos.
