Com direito a bolo e docinho: noiva é internada e casamento acontece dentro de hospital

Na última sexta-feira, a moradora de Bangu, na Zona Oeste, Bruna Costa, de 40 anos, estava bem. Faltavam dois dias para o casamento e a animação já tomava conta. À noite, no entanto, ela começou a passar mal e foi às pressas para a emergência do Hospital Municipal Albert Schweitzer (HMAS), em Realengo. Era uma crise aguda na vesícula. Na madrugada de sábado, acabou sendo internada. A festa estava ameaçada, mas não a cerimônia, que exatamente na data marcada, neste domingo, aconteceu como previsto, só que na enfermaria do hospital.

A data foi escolhida porque é quando o casal Bruna e Flavio completa 7 anos juntos. Em Bangu, onde moram, eles tocam uma borracharia e, não sem esforço, planejaram o tão desejado casamento. Angustiada com a iminência de cancelar todos os planos, ela desabafou com outras pacientes na enfermaria. Uma faxineira, porém, ouviu a conversa, e quase como fada madrinha, não a deixou desistir e incentivou a procurar a administração do hospital.

— Fiquei muito apreensiva, preocupada, achando que teria que cancelar o casamento, com medo de perder o investimento dos custos da festa. Uma faxineira ouviu eu falar que iria casar e me levou até a administração. Eu perguntei se poderia fazer pelo menos o civil no hospital. Eu imaginei que o tabelião fosse no meu quarto, uma coisa simples para assinar os papéis com meu noivo — contou a noiva.

Deu certo. Sensibilizada com a história da paciente, a direção do HMAS autorizou a entrada do tabelião e do noivo, Flavio Tavares, para que a cerimônia civil acontecesse dentro da unidade. O que o casal não esperava era todo o cenário adaptado pela Comissão de Humanização do hospital, com direito a bolo, docinho e a presença do pastor, de familiares e testemunhas.

— Eles prepararam tudo. Eu nem acreditei. Sou muito grata a todos, me trataram com muito carinho. Desde a faxineira Kátia, que me deu o maior apoio, até os enfermeiros, médicos, toda a equipe — lembra Bruna.

Ela soube depois, mas contou que quando a família do casal chegou na portaria, o hospital todo já sabia quem era o noivo que estava chegando e ia casar ali.

— Meu marido chorou, passou mal, a pressão aumentou, tomou um remédio e ficou bem. Estava super emocionado. Ele também não sabia que ia ter festa. Achou que a gente fosse ficar no quarto e assinar os papéis e só. Mas não — relembra a noiva.

A festa oficial foi remarcada. Com um documento da unidade de saúde atestando a internação de Bruna e a previsão de alta, ela conseguiu adiar a prestação do serviço da maioria dos fornecedores. Agora ea segue no hospital, nos preparativos para a cirurgia.

De acordo com o Jornal Extra, o supervisor de enfermagem Adílio Abreu foi quem conduziu a noiva ao altar improvisado. Os profissionais da enfermaria ajudaram na organização, participaram da cerimônia e saíram nas fotos. Ainda teve discurso de uma enfermeira, falando em nome de todos os profissionais do HMAS, para desejar felicidades aos noivos.

— Saúde também é feita de afeto, empatia e respeito às singularidades de cada paciente. Proporcionar esse casamento foi uma forma concreta de mostrar que somos, antes de tudo, pessoas cuidando de pessoas — disse a diretora da unidade, Kamila Conde.

O Hospital Municipal Albert Schweitzer é referência em urgência e emergência na Zona Oeste, e atende mais de 16 mil pacientes por mês.