Confira como prevenir e quais os riscos do efeito sanfona para o corpo

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Engorda, emagrece, engorda novamente e por aí vai, como um ciclo sem fim. Muitas pessoas que lidam com o processo de emagrecimento conhecem a frustração de perder os quilos necessários, mas ganhá-los logo em seguida. Esse processo é conhecido como efeito sanfona, efeito rebote ou ioiô.

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade, apontam que um em cada três brasileiros vive com obesidade, o que corresponde a cerca de 31% da população brasileira.

O desejo de emagrecer rapidamente vem acompanhado, muitas vezes, de dietas com uma restrição calórica muito alta, com pobreza de nutrientes, sendo nada saudáveis e difíceis de serem sustentadas a longo prazo para alcançar esse objetivo. A insatisfação com o próprio corpo, pressões externas e padrões estéticos acabam criando uma relação negativa com a alimentação.

Segundo especialistas, o primeiro a ser prejudicado é o metabolismo. O corpo começa a encontrar alternativas para armazenar energia por conta da baixa ingestão calórica. Perder e ganhar quilos com frequência altera o metabolismo e torna cada vez mais difícil manter o peso ideal. Ou seja, o corpo acaba se condicionando a gastar poucas calorias para realizar suas funções. Quando ele receber uma alimentação calórica novamente, vai se preparar para absorver o máximo que puder para recompensar o que perdeu e criar uma reserva energética para o futuro.

A composição corporal também sofre alteração. Na perda repentina de peso, a massa muscular acaba sendo prejudicada, e, já que ela demora para ser construída, no reganho de peso o corpo acumula mais massa de gordura do que de músculo.

Saúde como um todo

Além de prejudicar a saúde física, fatores emocionais também contribuem para o efeito sanfona acontecer. “A restrição severa gera uma sensação de privação, aumentando o desejo por alimentos ‘proibidos'. Ao ceder a esse desejo, a pessoa pode sentir culpa e frustração, emoções que muitas vezes levam a episódios de compulsão alimentar e, consequentemente, ao reganho de peso. Esse ciclo se torna um padrão emocionalmente desgastante, reforçando ainda mais o estresse e a ansiedade“, explica André Sena Machado, mestre e doutor em psicologia clínica e neurociências.

Para o psicólogo, pessoas imediatistas, com históricos de comportamentos alimentares desordenados, como compulsão ou restrição alimentar, e as que usam a comida como uma forma de conforto emocional — para lidar com tristeza, tédio ou outras emoções negativas — são as mais vulneráveis e propensas a serem afetadas.

Normalmente, esse rebote no peso é explicado pela falta de mudança nos hábitos alimentares e na prática de exercícios, mas não apenas esses fatores. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, e publicado na revista científica Nature, aponta que o efeito sanfona pode estar relacionado à epigenética, em que fatores ambientais e externos podem influenciar mudanças no DNA de células de gordura em pessoas com obesidade.

O experimento inicial foi feito em camundongos, analisando as células de gordura em animais com sobrepeso e naqueles que perderam o excesso por meio de uma dieta. Os estudiosos notaram que a obesidade mudou as características iniciais das células e que elas possuem uma “memória“, fazendo recuperar o peso perdido após a volta da ingestão de uma dieta mais calórica. Mesmo analisado em animais, o método foi experimentado em humanos, com um resultado condizente.

“Vou usar caneta para emagrecer”

Essa frase, com certeza, já foi ouvida muitas vezes. O uso dessas canetas medicamentosas, como Saxenda, Ozempic e Mounjaro, popularizou-se entre as pessoas que desejam emagrecer, principalmente entre as que não têm uma recomendação médica. Por proporcionarem uma perda de peso significativa,  tornaram-se um atrativo para emagrecer rapidamente.

O uso indiscriminado, sem prescrição e acompanhamento médico, por pessoas que não têm um diagnóstico clínico ou algum tipo de comorbidade acaba não tendo uma boa adesão ao medicamento, com uma menor eficácia, e pode agravar o efeito sanfona. Para conter esse uso indiscriminado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, em abril, que é obrigatória a retenção de receita médica para a venda desses medicamentos. De acordo com a Anvisa, a decisão foi baseada no número elevado de eventos adversos relacionados à utilização desses medicamentos fora das indicações aprovadas pela agência.

E, sim, é mais que possível manter o peso ideal e ficar longe do temido vaivém da balança. Para muitos pacientes, segundo a médica, funcionam como uma oportunidade de uma “virada de chave” na vida deles. Com a resolução da “raiz do problema“, junto com mudanças de hábitos e adoção a uma rotina mais saudável, a manutenção do peso pode acontecer com ou sem o uso contínuo das medicações.

Para que o emagrecimento seja duradouro e sem prejudicar a saúde, é importante ter disciplina, mudança de hábitos, acompanhamento profissional e, principalmente, paciência durante o processo. Trocando dietas por uma reeducação alimentar e mudanças no estilo de vida, é possível manter o peso perdido e ter uma composição corporal adequada.

Com informações do Correio Braziliense