Congresso amplia disputas internas e eleva tensão política às vésperas de 2026, avalia cientista política Carla Michele

O cenário político nacional é marcado por um aumento das disputas internas no Congresso Nacional, com impactos diretos na relação entre os Poderes e no ambiente pré-eleitoral de 2026. Articulações para o comando da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, somadas a divergências com o Palácio do Planalto, têm intensificado a tensão em Brasília.

A movimentação em torno da presidência da Câmara, com o fortalecimento de lideranças ligadas ao Centrão, reforça o protagonismo do Legislativo na definição da agenda política. No Senado, episódios recentes evidenciam disputas por espaço e influência, especialmente em temas sensíveis ao Executivo.

Paralelamente, o Congresso tem imposto derrotas ao governo federal ao derrubar vetos presidenciais, modificar projetos considerados estratégicos e resistir a propostas de ajuste fiscal. Essas ações ampliam o poder de barganha do Legislativo e exigem negociação constante por parte do Executivo.

Para a cientista política Carla Michele, os conflitos institucionais fazem parte da dinâmica do sistema político brasileiro. Segundo ela, o Parlamento exerce não apenas a função legislativa, mas também papel de fiscalização e pressão, o que torna naturais os embates com o Executivo.

A especialista avalia ainda que o fortalecimento do Centrão amplia a influência do grupo sobre comissões estratégicas, a execução do orçamento e a condução das mesas diretoras das Casas Legislativas. Nesse contexto, o governo opera sob um modelo de negociação permanente, típico do presidencialismo de coalizão.

Apesar da experiência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na articulação política, o ambiente permanece instável, com vitórias e derrotas pontuais para o governo no Congresso. A proximidade do calendário eleitoral tende a intensificar essas disputas e a reorganizar alianças partidárias.

Outro fator apontado é o distanciamento entre parte do Parlamento e as demandas da sociedade. Pesquisas de opinião indicam crescente insatisfação com a representação política, especialmente diante de propostas que ampliam benefícios a parlamentares ou reduzem mecanismos de responsabilização.

A avaliação é de que o avanço de pautas estruturantes, como a reforma tributária, políticas de segurança pública, controle da inflação e programas sociais, dependerá da capacidade de articulação entre Executivo e Legislativo em um cenário político cada vez mais marcado pela antecipação do debate eleitoral.