Congresso Nacional caminha para dá um passo atrás com mudanças na Lei da Ficha Limpa

Um dos projetos de lei que representam um passo atrás na política brasileira teve, nesta terça-feira (3), a votação adiada no Senado. O repórter Sátiro Sales relata, no Jornal Alerta Geral, os prejuízos que a proposta pode gerar à luta de combate à corrupção.

O projeto, que diminui a pena na Lei da Ficha Limpa nos casos de crimes de improbidade administrativa, já passou pela Câmara Federal, entrou na pauta do Senado e representa um caminho para muitos candidatos às eleições de 2024 recuperarem a elegibilidade após serem punidos por má utilização do dinheiro público.

O relator do projeto, senador Weverton Rocha (PDT-MA), pediu que o texto volte a ser debatido quando houver consenso sobre o tema e destaca que é preciso tirar esse calor eleitoral dos artigos que estão sendo discutidos. O texto estabelece que o tempo de oito anos para quem fica inelegível começa a ser contado a partir da condenação.

O projeto estipula, também, um prazo máximo de 12 anos sem direitos políticos nem possibilidade de se candidatar a cargo público. Na regra anterior, os oito anos passavam a ser contados quando terminava o cumprimento da pena à qual o político fora condenado, deixando, assim, a inelegibilidade bastante longa.

Se aprovado, o projeto enfraquece a lei da ficha limpa, uma importante conquista que nasceu da mobilização popular, em 1997, chegou ao congresso nacional com 1,6 milhão de assinaturas exigindo maior moralidade dos governantes e parlamentares e transformou em lei no ano de 2010. Com a lei, que, em 2024, completa 14 anos, muitos agentes políticos foram punidos por envolvimento com o desvio do dinheiro público.