Tomar um cafezinho a qualquer hora do dia é um hábito bem brasileiro. Mas, como tudo na vida precisa de equilíbrio, sempre há uma dúvida de quantas xícaras podemos tomar por dia e se o café faz bem ou mal à saúde.
De acordo com uma declaração científica publicada nesta segunda-feira (20/7) pela Associação Americana do Coração (AHA, sigla em inglês), para a maioria das pessoas, algumas xícaras de café não fazem mal; pelo contrário, podem até ser benéficas.
A equipe responsável pela declaração reuniu dados sobre a relação da cafeína e da saúde que foram publicados em estudos recentes. Nessa revisão, eles analisaram os efeitos da substância em indicadores como pressão alta, colesterol e riscos para doenças metabólicas e cardiovasculares.
“Em nossa análise das pesquisas mais recentes, para a maioria dos adultos, a ingestão de até 400 miligramas de cafeína por dia, o equivalente a até cinco xícaras de café sem adição de açúcares ou outros ingredientes, é segura e não aumenta o risco cardiovascular”, relatou o cardiologista da Universidade da Califórnia, em São Francisco, Gregory Marcus, responsável pela declaração científica.
É preciso ponderar que, mesmo que a bebida seja benéfica, há ressalvas quando ela é consumida com creme, açúcar, adoçantes ou xaropes, o que pode anular os benefícios da cafeína.
Principais pontos do estudo
- Impacto na pressão arterial: a cafeína eleva a pressão em hipertensos, mas o consumo de mais de 3 xícaras de café ao dia reduz o risco de desenvolver a condição.
- Proteção contra diabetes Tipo 2: beber de 3 a 5 xícaras de café por dia pode reduzir de 27% a 30% o risco de desenvolver a doença.
- Redução de riscos cardíacos: consumir de 2 a 3,5 xícaras diariamente reduz em cerca de 10% o risco de doença arterial coronariana.
- Prevenção de AVC: indivíduos que bebem de 3 a 4 xícaras de café por dia apresentam uma redução de 21% no risco de sofrer um AVC.
- Diretriz de Segurança da AHA: a associação conclui que o consumo moderado de até 400 mg de cafeína (3 a 5 xícaras de café) por dia é seguro e protege contra diversas doenças.
Segundo o documento, a cafeína, seja do café ou de chá, pode fornecer doses de antioxidantes e compostos benéficos ao corpo. Mas, se a fonte vier de bebidas energéticas, estas podem conter doses altas de cafeína e de açúcar, além de outras substâncias que fazem mal à saúde.
Em relação à associação do café como fator de risco cardiovascular, como pressão arterial e diabetes, para doenças cardiovasculares, como arritmias, doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca, a declaração apontou que, no geral, os efeitos são positivos.
Já em pacientes com hipertensão, a cafeína pode aumentar a pressão arterial. Porém, em pessoas com pressão arterial normal, três xícaras de café por dia estiveram associadas a maior probabilidade de desenvolver hipertensão. Mas, quando o consumo foi de mais de três xícaras, esse risco pareceu diminuir.
Conforme apontam os pesquisadores, “esses resultados contrastantes podem ser atribuídos a diferenças na concentração de cafeína e à presença de outros compostos bioativos, como a taurina em bebidas energéticas e o ácido clorogênico no café, com efeitos opostos na pressão arterial”, disseram.
Além disso, o documento constatou que o hábito de beber café pode reduzir o risco de desenvolver o diabetes tipo 2, mostrando uma diminuição de 27% a 30% no risco para quem consome entre três e cinco xícaras por dia.
Outro ponto destacado na declaração é que indivíduos que bebem de três a quatro xícaras de café por dia apresentam uma redução de 21% no risco de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).
No geral, a declaração da AHA mostrou que, em um crescente conjunto de evidências, a cafeína não apresentou riscos quando consumida com moderação.
