Contradições cercam morte de policial: soldado e marido são presos, e investigação revela trama com novas evidências

A investigação sobre a morte do soldado da Polícia Militar Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro de um carro em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (12). As apurações da Polícia Civil apontam uma série de contradições nos depoimentos da policial militar Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, presa em flagrante sob suspeita de participação no crime, assim como seu marido.

Os investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) aprofundaram as diligências e reuniram elementos que colocam em dúvida a versão apresentada pela soldado. Inicialmente, Júlia afirmou que havia sido sequestrada por desconhecidos e mantida amarrada em uma área de mata às margens da BR-116, onde foi localizada horas depois da descoberta do corpo do colega de farda.

Entretanto, imagens de câmeras de segurança obtidas pela Polícia Civil mostram a militar em uma oficina mecânica justamente no período em que ela afirmou estar em poder dos supostos sequestradores. Os registros também indicam que ela foi vista utilizando as mesmas roupas com as quais foi encontrada posteriormente, contrariando sua versão de que não se lembrava quando teria trocado de vestimenta.

As inconsistências fortaleceram a linha de investigação que aponta para um possível envolvimento direto da policial na morte de Raphael Sampaio. A partir das novas evidências, a Polícia Civil decidiu pela prisão da militar, enquanto as investigações seguem para esclarecer a motivação, a dinâmica do crime e a eventual participação de outras pessoas.

Investigada já respondia por outros crimes

O caso ganhou contornos ainda mais graves após a confirmação de que Júlia Natália já era investigada em outro procedimento criminal. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ela responde por estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As investigações começaram em junho do ano passado, após denúncia de uma plataforma de transporte por aplicativo sobre a criação de contas falsas. Conforme a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), a policial, o marido e outras 11 pessoas integrariam um esquema fraudulento.

De acordo com a apuração, Júlia atuava fornecendo dados pessoais, instrumentos financeiros e meios de comunicação utilizados pelo grupo para viabilizar as fraudes. A SSPDS informou que ela foi formalmente indiciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Caso provoca forte repercussão

A morte do soldado Raphael Sampaio, que também integrava o 16º Batalhão da Polícia Militar, em Messejana, provocou grande repercussão dentro e fora da corporação. O fato de uma policial militar figurar entre os principais suspeitos tornou o caso um dos mais impactantes da segurança pública cearense neste ano.