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A oposição já tem, a partir da próxima semana, mais uma polêmica para alimentar na Câmara Federal e no Senado. Agora, o alvo é o Diretor Geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, que, em uma entrevista na última sexta-feira, 9, à agência Reuters, admitiu que o chamado “inquérito dos portos” contra o presidente Michel Temer (MDB) pode ser arquivado por falta de provas.

As declarações de Segovia o deixam em uma verdadeira corda bamba, expõem a Polícia Federal e geram problemas, também, para o Palácio do Planalto. Antes de Segovia, o seu antecessor, Leandro Daiello, permaneceu no cargo por seis anos e dez meses – o mais longevo diretor da corporação – sem grandes percalços midiáticos.

Segovia, por sua vez, já causou mal-estar na PF momentos depois da posse. A saída de Leandro Daiello do posto máximo da Polícia Federal era cogitada desde o início do governo Temer e ganhou força com a entrada de Torquato Jardim no Ministério da Justiça, em maio de 2017. Ainda assim, Daiello permaneceu no comando da corporação até novembro.

Uma das primeiras polêmicas surgiu ao criticar a investigação da PGR (Procuradoria-Geral da República) que sustentou as duas primeiras denúncias contra Temer e disse que uma única mala de dinheiro – em referência à corrida filmada pela própria PF do ex-assessor especial do presidente, Rodrigo Rocha Loures, com R$ 500 mil – não era suficiente para dar toda a “materialidade criminosa” necessária para verificar crimes e políticos envolvidos.

Ex-superintendente da PF no Maranhão, Fernando Segovia ganhou força para assumir a Polícia Federal com o apoio do ex-presidente José Sarney (MDB) – este nega oficialmente qualquer indicação –, do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Augusto Nardes. A palavra final coube ao presidente Michel Temer.

Ao contrário do esperado, o nome indicado por Jardim, delegado Rogério Galloro – que virou secretário nacional de Justiça –, não foi o escolhido. Um fator que teria motivado Temer a não seguir a recomendação de Jardim foi o que o ministro disse, dias antes da mudança, que o governo do Estado do Rio de Janeiro não consegue controlar a Polícia Militar e que o comando dessa, por sua vez, se associou ao crime organizado.