O governo dos Estados Unidos acusou o Brasil de falhar no combate às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A afirmação consta de um documento elaborado pelo Departamento de Estado, assinado pelo presidente Donald Trump e encaminhado ao Congresso norte-americano.
No trecho sobre o Brasil, o relatório afirma que PCC e CV, classificados pelas autoridades dos EUA como organizações terroristas estrangeiras, transformaram o país em um “centro relevante para o fluxo global de cocaína”. O documento também afirma que, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental adotam medidas para combater o tráfico de drogas e desarticular organizações criminosas, o governo brasileiro teria falhado no enfrentamento às duas facções.
O Departamento de Estado defende que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adote “medidas agressivas” contra os grupos antes que eles ampliem sua atuação. O relatório também menciona ações de outros países latino-americanos, como Argentina, Equador, El Salvador e Peru, no combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas.
Governo brasileiro rebate críticas
O governo brasileiro contestou as afirmações apresentadas no relatório. Em nota divulgada na noite de quarta-feira (16), classificou como improcedentes as “alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional”.
O governo também afirmou que o documento desconsidera medidas adotadas pelo Brasil no combate às organizações criminosas. Entre elas, citou a Lei nº 15.358/2026, sancionada em março, que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e estabeleceu novas regras para o enfrentamento de organizações criminosas ultraviolentas, incluindo mecanismos de punição e bloqueio de recursos.