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A crise interna no PSDB teve, na noite dessa quarta-feira, mais um capítulo: os tucanos que querem novos rumos para o partido calculam que, na queda de braço contra o senador mineiro Aécio Neves, que é aliado ao Palácio do Planalto, o senador Tasso Jereissati acabou capitalizando a dissidência que garantiu 23 votos da bancada do PSDB pela abertura de processo contra Temer . Outros 20 parlamentares da sigla votaram pelo arquivamento.

O deputado Raimundo Gomes de Matos –único representante do PSDB do Ceará em Brasília, que, na primeira votação, não apareceu no Plenário da Câmara Federal, decidiu, na segunda votação, apoiar o parecer do deputado Bonifácio de Andrada (MG) e ficar ao lado do presidente Michel Temer. A posição de Raimundo Gomes desagradou o senador Tasso. Se comparada com a votação da primeira denúncia, foram 22 votos pela rejeição e 21 contra.

A mudança no placar do PSDB ocorre no momento em que parte da sigla pressiona pela saída de Aécio Neves da presidência do PSDB. Tasso ameaçou abandonar o comando nacional se Aécio insistisse em não renunciar ao cargo – o tucano está licenciado da Presidência Nacional desde o mês de maio após ter vazadas imagens e áudio em que aparece com um dos donos do Grupo JBS pedindo R$ 2 milhões. Aécio nega pedido de propina, mas o episódio o desgastou. O mineiro se sentiu pressionado e pediu licença do comando do partido.

A divisão da bancada do PSDB na votação da denúncia contra o presidente Michel Temer mostra o racha enfrentando pelos tucanos. Após a ameaça feita por Tasso de deixar a presidência que ocupa de forma interina, Aécio retrucou e mandou o recado dizendo que, se o cearense se afastasse, ele (Aécio) entregaria o cargo de presidente.

A corda esticou, mas, como no dia 9 de dezembro, o PSDB realizará convenção, em Brasília, para eleger o novo presidente nacional, Aécio e Tasso partiram para um armistício. Ou seja, deram uma trégua para evitar ainda mais divisões.

As conversas e as articulações para a eleição de presidente colocam, porém, em campos opostos os dois senadores: Tasso trabalha para ser eleito Presidente da Executiva Nacional e defende que o PSDB se afaste do Governo Michel Temer. Aécio está no lado oposto, é aliado ao Palácio do Planalto e se articula para eleger um presidente sintonizado com o Governo Temer. Nessa agenda, o PSDB chegou a divulgar, na sexta-feira da semana passada, que, nesta quinta-feira, haveria uma reunião do senador Tasso Jereissati com os presidentes estaduais do partido, mas o encontro saiu da agenda e foi cancelado.