Cuba registra o maior número de pedidos de refúgio no Brasil em 2025

crédito: Isaac Amorim/MJSP

Dados do relatório Refúgio em Números 2026, divulgado nesta segunda-feira (22/6), apontam uma mudança relevante no perfil das solicitações de refúgio no Brasil em 2025. Pela primeira vez em anos, Cuba assumiu a liderança no ranking de novos pedidos, superando a Venezuela, que historicamente ocupava a primeira posição. O levantamento foi apresentado durante evento em alusão ao Dia Mundial do Refugiado, que é celebrado em 20 de junho.

Foram contabilizadas 75.599 novas solicitações no período. Os cubanos responderam por 55,4% desse total. Em segundo lugar aparecem os venezuelanos, com 28,1%. Outras nacionalidades aparecem com participação residual, como Colômbia (1,9%) e Angola (1,7%).

O avanço dos pedidos de Cuba também se reflete no perfil dos solicitantes. Entre as mulheres que pediram refúgio no Brasil em 2025, 60,1% são cubanas. No recorte masculino, os cubanos também lideram, com 51,8% das solicitações.

Apesar de liderar os pedidos, Cuba não aparece entre as principais nacionalidades no reconhecimento de refúgio. Das 9.162 concessões realizadas pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) em 2025, 89,8% foram destinadas a venezuelanos. Afegãos aparecem em seguida, com 1,1%. No total, o Conare analisou 50.568 processos envolvendo solicitantes de 142 países.

O perfil predominante entre os reconhecidos é de homens (54,8%), com concentração de 30% na faixa etária entre 25 e 40 anos. A distribuição geográfica dos pedidos segue concentrada na Região Norte, responsável por 52,4% das análises. Entre os estados, Roraima lidera com 32% dos registros, seguido por São Paulo (26,5%) e Amapá (12,6%).

O relatório também aponta fragilidades na estrutura de acolhimento. Em 82,9% dos municípios avaliados, não há ações institucionais de combate à xenofobia ou discriminação. Apenas São Paulo foi classificada com “muito alta capacidade institucional”. Goiânia e Belo Horizonte aparecem em seguida, com “alta capacidade”.

Desde 2010, o Brasil recebeu solicitações de refúgio de pessoas de 177 nacionalidades, somando 551.072 pedidos até o fim de 2025. No mesmo período, 165.774 pessoas foram reconhecidas como refugiadas, alta de 5,9% em relação ao ano anterior.