As declarações do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) sobre a elaboração de uma lista de pré-candidatos para as eleições de 2026 provocaram reação imediata do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e evidenciaram ruídos internos na legenda.
Carlos afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro prepara “uma lista de pré-candidatos ao Senado, aos governos e a outras participações políticas igualmente relevantes”. A fala, no entanto, foi prontamente rebatida por Valdemar, que delimitou as atribuições dentro do partido.
Em entrevista ao portal Poder360, o dirigente do PL destacou que cabe a Bolsonaro indicar nomes ao Senado, enquanto as definições sobre candidaturas aos governos estaduais são responsabilidade da direção partidária. “Debatemos tudo, mas o Senado é o Bolsonaro que indica. Sempre foi. Nós indicamos os governadores. Todos nós damos palpites em tudo. É normal. Sempre ouvimos nossos parceiros”, declarou.
Carlos visitou o pai no sábado, no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde o ex-presidente cumpre pena, e divulgou no mesmo dia que ele estaria organizando a lista de nomes. No domingo, voltou às redes sociais para comentar a fala de Valdemar, sugerindo desencontro interno e insinuando tentativa de isolamento político do ex-presidente.
“Me parece que as coisas estão meio desencontradas sem querer querendo. As peças todas parecem se encaixar. Deixar o preso político isolado e fazendo isso que estamos vendo e de forma acentuada está cada dia mais… estranho”, escreveu.
O ex-presidente foi transferido para a unidade prisional em 15 de janeiro, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após condenação a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Desde então, a unidade passou a funcionar como ponto de articulação política do bolsonarismo. Lideranças visitam Bolsonaro para discutir cenários estaduais, alianças e estratégias para 2026, mantendo o ex-presidente como figura central nas decisões do grupo, mesmo cumprindo pena.
