O deputado federal cearense Robério Monteiro (PDT) afirmou não ser alvo de investigação nem de medidas judiciais relacionadas à Operação Fake Road, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). A declaração foi feita nesta segunda-feira (19), após a retomada da repercussão do caso em reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, veiculado ontem (19).
A operação, realizada no fim de novembro, apura suspeitas de irregularidades em contratos de pavimentação vinculados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Embora os nomes dos investigados não tenham sido oficialmente divulgados, uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, menciona o parlamentar em diversos trechos.
De acordo com os autos, a investigação aponta indícios de redirecionamento de recursos provenientes de emendas parlamentares que, inicialmente, seriam aplicados em municípios da Bahia, mas acabaram destinados a obras em Acaraú e Itarema, no Ceará. As duas cidades são administradas por familiares do deputado.
Na decisão, o ministro afirma que a destinação dos recursos para o Ceará teria ocorrido a partir de demanda parlamentar atribuída a Robério Monteiro. O texto também registra que o DNOCS reconheceu a ampliação de contratos de pavimentação já existentes, com parte dos valores associados ao parlamentar citado.
As investigações ainda apuram possível superfaturamento das obras e o uso de imagens falsas para atestar a execução dos serviços. Segundo Flávio Dino, há “indícios substanciais” de participação do deputado no processo de desvio de recursos, especialmente diante do suposto favorecimento político decorrente do direcionamento das verbas.
Em resposta, Robério Monteiro utilizou as redes sociais para negar qualquer envolvimento. Ele sustenta que as obras mencionadas são de responsabilidade exclusiva do DNOCS, cabendo ao órgão federal a execução, fiscalização e pagamento, sem participação das prefeituras de Acaraú e Itarema.
O parlamentar também destacou que esteve licenciado do mandato entre fevereiro de 2023 e junho de 2024, período citado na investigação, e afirmou que não há emendas de sua autoria vinculadas ao projeto. Segundo ele, os recursos teriam origem em emenda de comissão da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado.
A decisão do STF reconhece que os valores partiram de emenda de comissão, mas ressalta a suspeita de cruzamento de demandas e possível manipulação documental para ampliar a execução das obras no Ceará.
Confira nota publicada no perfil do parlamentar:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Em razão de reportagem exibida no programa Fantástico (18/01/2026), venho a público esclarecer:
Conforme noticiado na própria reportagem, não sou investigado no âmbito do procedimento mencionado, tampouco fui alvo de qualquer medida judicial, o que é demonstrado pela certidão negativa expedida pelo STF, indicando que não respondo a nenhum processo.
Os recursos citados tem origem na emenda da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal, no qual eu não faço parte.
Ao contrário do que foi veiculado na reportagem, não foram direcionados aos Municípios de Itarema ou Acaraú qualquer valor decorrente da emenda citada, bem como não há participação destes na execução, fiscalização ou pagamento das obras mencionadas. A responsabilidade pelo projeto é exclusiva do DNOCS, órgão federal competente.
Esclareço ainda, que no período entre fevereiro de 2023 e junho de 2024, estive licenciado do mandato de Deputado Federal, exercendo o cargo de Secretário de Recursos Hídricos do Estado do Ceará, conforme registros oficiais.
Reitero meu compromisso com a legalidade, a ética e a correta aplicação dos recursos públicos, colocando-me à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Robério Monteiro
Deputado Federal

