O senador Sergio Moro decidiu deixar o União Brasil e se filiar ao Partido Liberal (PL) para disputar o Governo do Paraná, em um movimento que fortalece o palanque do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e amplia o cenário de polarização política.
A mudança partidária foi acertada na noite desta quarta-feira (18), em reunião no Senado com o deputado federal Filipe Barros (PL), após Moro não obter apoio do União Brasil para entrar na disputa estadual. A informação foi confirmada pelo parlamentar e pelo próprio senador.
Nos últimos dias, Moro já havia dado sinais de alinhamento ao campo bolsonarista. Em passagem pelo Ceará, ele participou de agenda política ao lado do senador Eduardo Girão (Novo), pré-candidato ao Governo do Estado, e aproveitou para criticar e ironizar o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), com quem mantém histórico de confronto político desde a época da Operação Lava Jato.
A ida de Moro para o PL também atende a uma estratégia nacional do partido, que buscava um nome competitivo no Paraná para sustentar o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. Isso porque o atual governador, Ratinho Júnior (PSD), também é pré-candidato ao Planalto e deve apoiar seu próprio grupo político, deixando o bolsonarismo sem palanque no Estado.
Antes do acordo final, Moro esteve reunido com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, quando acertou o apoio à candidatura presidencial de Flávio em troca da estrutura partidária para disputar o governo paranaense.
A filiação de Moro ao PL está prevista para a próxima terça-feira (24), enquanto o partido trabalha nos bastidores para definir a composição da chapa no Estado.
Um dos desafios é a disputa ao Senado. A pré-candidatura da jornalista Cristina Graeml (Podemos) preocupa lideranças do PL, que temem a divisão do eleitorado de direita com o deputado Filipe Barros, também pré-candidato à vaga.
A estratégia do partido é tentar atrair Graeml para o PL, onde ela poderia disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e atuar como puxadora de votos. Outro nome cotado para o Senado com apoio do grupo é o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo).
