Desigualdade recua em 71% dos indicadores no Brasil

Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

O Brasil apresentou avanços em 71% dos indicadores de desigualdade monitorados em 2026, mas ainda enfrenta desafios históricos, como a concentração de renda e o aumento da população exposta a áreas de risco.

Os dados são do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, elaborado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades. Dos 48 indicadores analisados, 71% apresentaram melhora, enquanto 13% permaneceram estáveis e 16% registraram piora.

Entre os principais avanços estão a redução do desmatamento, da taxa de desemprego e da pobreza, além da queda nos homicídios entre jovens e dos índices de insegurança alimentar. Também foram identificadas melhorias na área da educação.

Por outro lado, o principal retrocesso apontado pelo levantamento está relacionado ao aumento do número de pessoas vivendo em áreas sujeitas a deslizamentos e outros eventos climáticos extremos. A concentração de renda também permanece como um dos principais problemas estruturais do país.

Destaques positivos

Insegurança alimentar
A proporção de brasileiros que vivem em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024. A redução foi ainda mais expressiva entre a população negra. Entre homens negros, o índice passou de 12,2% para 9,7%, enquanto entre mulheres negras caiu de 12,5% para 10%, segundo dados do IBGE.

Homicídios entre jovens
A taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos caiu de 49,7 para 41,9 casos a cada 100 mil habitantes entre 2021 e 2024. A redução foi de 15,7%, conforme dados compilados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades.

Desemprego
A taxa de desocupação no Brasil recuou de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. Entre as mulheres, a redução foi de 8,1% para 6,9%.

Apesar da melhora, as desigualdades no mercado de trabalho permanecem. A taxa de desemprego entre mulheres negras chegou a 8,5%, enquanto entre homens não negros ficou em 3,8%, de acordo com o IBGE.

Destaques negativos

População exposta a riscos geológicos
O número de pessoas vivendo em áreas sujeitas a deslizamentos e outros desastres climáticos aumentou no país. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, eram 4,36 milhões de pessoas nessa situação em 2025. Em 2026, o número chegou a 4,67 milhões, uma alta de 7%.

Expansão das áreas de risco
O levantamento aponta que o aumento da população exposta está relacionado também à expansão das áreas de risco, e não apenas ao adensamento populacional em locais já classificados dessa forma. Atualmente, o Brasil possui cerca de 17 mil áreas de risco geológico, muitas delas ocupadas por pessoas em situação de vulnerabilidade.

Mortalidade materna
Após apresentar redução no período pós-pandemia, a mortalidade materna voltou a crescer. A taxa passou de 52,2 mortes a cada 100 mil nascidos vivos em 2023 para 55,5 em 2024.