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A aprovação da maioria da população à operação para desmantelar a cracolândia no centro de São Paulo não se reverteu em uma melhor avaliação geral do prefeito João Doria (PSDB), autoridade mais associada à ação.

Segundo pesquisa Datafolha, Doria oscilou negativamente, dentro da margem de erro de três pontos percentuais, seu índice de ótimo e bom na opinião dos paulistanos.

O tucano está com 41% de aprovação. Há dois meses, tinha 43%, contra 44% quando cravou seu primeiro mês no cargo. A desaprovação, que havia subido de 13% para 20% entre fevereiro e abril, agora está estável em 22%. Aqueles que consideram seu governo regular também se mantiveram estáveis, em 34%.

O Datafolha apontou que 59% dos paulistanos concordam com a ação na cracolândia iniciada em 21 de maio, contra 34% que a rejeitam.

O número demonstra dissonância com a avaliação majoritária entre especialistas em políticas para dependentes químicos, que criticaram as intervenções da prefeitura e do governo estadual.

A operação policial, a cargo da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), foi feita sem que equipes municipais de assistência social e de saúde estivessem preparadas. Com a dispersão, uma nova cracolândia surgiu a 400 metros da antiga, na praça Princesa Isabel.

BAIRRO E CIDADE

O fato de 60% dos 1.125 entrevistados pelo Datafolha na quinta (1º) acharem que Doria foi o principal responsável pela operação na cracolândia demonstra que ele conseguiu superar Alckmin, seu padrinho político, como “pai” da iniciativa. E 48% aprovaram sua atuação.

Mas não faturou no índice geral de popularidade, o que sugere o peso maior de insatisfações de outra natureza contra sua administração para a avaliação ficar estável.

Com efeito, aumentou o número de paulistanos que consideram que o prefeito tucano fez menos do que poderia em seu bairro: eram 67% há dois meses; agora são 74%.

No cômputo geral, a proporção daqueles que avaliam que Doria fez menos do que o esperado pela cidade como um todo também subiu –dos 39% registrados com um mês no cargo para 47% no terceiro mês e para 53% agora.

Outro sinal amarelo para a administração é a contínua queda na avaliação de aspectos de gestão de Doria entre os mais pobres. Entre quem ganha até dois salários mínimos (R$ 1.874) mensais, há empate entre aprovação (30%) e rejeição (29%).

E nada menos que 77% dos ouvidos nesse grupo consideram que ele fez menos do que poderia pelos seus bairros e 65%, pela cidade.

A administração, que adotou estratégias de alto impacto de marketing, enfrenta problemas de caixa para a execução de obras estruturais.

Além disso, apesar do programa Cidade Linda, de zeladoria urbana, ao menos 11 prefeituras regionais tiveram redução de equipes de capinação, a quantidade de buracos tapados segue tendência de queda desde a gestão Fernando Haddad (PT) e as panes em semáforos se espalharam devido ao término dos contratos de manutenção.

O perfil padrão do apoiador de Doria é homem (45% de aprovação), com mais de 60 anos (48%), que ganha mais de 10 salários mínimos (62%) e tem curso superior (53%).

Ele também tem popularidade acima de sua média entre os que têm entre 35 e 44 anos (44% de ótimo/bom).

Pelas linhas partidárias, a segmentação registrada na eleição de 2016 permanece.

Entre quem votou em Doria, 64% seguem aprovando o tucano. Já os eleitores de Haddad, que foi derrotado em primeiro turno pelo tucano, desaprovam Doria –que tem 15% de apoio nesse grupo.

ALCKMIN

Na cidade de São Paulo, a popularidade de Alckmin teve oscilação desde o levantamento do Datafolha em abril.

Sua aprovação foi de 31% para 27%, enquanto o índice daqueles que o consideram regular subiu na mesma proporção: 36% a 40%.

Rejeitam como ruim ou péssima a gestão do tucano 31%, mesmo nível de abril.

Seu desempenho é melhor entre os mais velhos (39% de aprovação), menos instruídos (31%) e mais pobres (30%).

Crédito da Folha de São Paulo