Editorial de O Globo enaltece lei de Camilo que baniu celulares das escolas e destaca avanço na educação

Foto: Luis Fortes/MEC

Uma das principais iniciativas do então ministro da Educação, Camilo Santana, ganhou reconhecimento nacional nesta segunda-feira (20). Em editorial, o jornal O Globo elogia os resultados da lei federal que restringiu o uso de celulares nas escolas para fins não pedagógicos e afirma que a medida, inicialmente recebida com dúvidas, tornou-se um sucesso ao melhorar o ambiente escolar e o processo de aprendizagem.

O jornal destaca que, quando a lei foi sancionada, em janeiro de 2025, havia incertezas sobre a aceitação da nova regra, diante da forte dependência de crianças e adolescentes dos aparelhos celulares. Um ano e meio depois, porém, os dados mostram que a iniciativa alcançou ampla adesão e produziu resultados positivos.

Pesquisa do Ministério da Educação (MEC), realizada em parceria com o Inep, a Unesco e o Instituto Alana em 1.189 escolas de todo o país, revela que 97% dos diretores avaliam que a proibição aumentou a participação dos estudantes nas atividades pedagógicas. Outros 95% afirmam que houve melhora na concentração em sala de aula e na socialização entre os alunos, enquanto 88% registraram redução de conflitos, agressões digitais e casos de cyberbullying.

O levantamento também aponta impactos positivos em outras áreas. Segundo os gestores, 67% das escolas observaram crescimento das atividades manuais, lúdicas e artísticas, enquanto 55% identificaram diminuição das agressões físicas no ambiente escolar.

O editorial ressalta que a política ainda enfrenta desafios. Embora 42% das escolas considerem as regras plenamente consolidadas e 47% estejam em fase de implementação, cerca de 39% dos diretores relatam dificuldades para conquistar a adesão dos estudantes. Ainda assim, a avaliação é de que o saldo é amplamente favorável.

Outro aspecto destacado é que a restrição ao uso dos celulares não comprometeu o emprego da tecnologia como ferramenta de ensino. Pelo contrário. Segundo a pesquisa, 51% das escolas públicas ampliaram ações de educação digital no último ano, enquanto outras 36% planejam adotar essas iniciativas em 2026.

O editorial observa ainda que cada escola encontrou sua própria forma de administrar os aparelhos. Em 62% das unidades, os celulares permanecem guardados nas mochilas dos estudantes; em outras, ficam na secretaria, em armários ou sob a guarda dos próprios alunos.

Para O Globo, a decisão de restringir os celulares acompanha uma tendência mundial. O jornal lembra que diversos estudos associam o uso excessivo dos aparelhos à queda da concentração, prejuízos ao desenvolvimento cognitivo, dificuldades de socialização e piora na qualidade do sono, tornando os dispositivos um fator de distração dentro das salas de aula.

Ao concluir, o editorial destaca que a iniciativa conseguiu reunir apoio de diferentes correntes políticas, educadores e famílias em torno de um objetivo comum: melhorar o ambiente escolar. A avaliação é de que o desafio agora não é apenas manter a restrição ao uso inadequado dos celulares, mas ampliar o uso da tecnologia como ferramenta pedagógica capaz de fortalecer o aprendizado e a formação dos estudantes.