A eleição para o Governo do Ceará em 2026 é marcada por uma divisão que ultrapassa os partidos e coloca no centro da disputa dois irmãos que, durante décadas, estiveram entre os principais nomes da política cearense: Cid e Ciro Gomes.
De um lado, está o governador Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição, que reúne em seu palanque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Camilo Santana (PT) e o senador Cid Gomes (PSB), irmão do principal adversário na disputa pelo Governo. Cid também concorre à reeleição para o Senado.
Do outro, está Ciro Gomes (PSDB), que retorna à disputa pelo Governo do Ceará mais de três décadas depois de ter comandado o Estado. Ele foi eleito governador em 1990, com 44,18% dos votos, e deixou o cargo em 1994 para assumir o Ministério da Fazenda no governo Itamar Franco.
A candidatura de Ciro em 2026 ocorre em uma configuração diferente daquela que marcou sua trajetória política. O tucano conta com o apoio de partidos de direita, entre eles PL, União Brasil e PP, além do PSDB. O PL cearense oficializou apoio à candidatura de Ciro e lançou Alcides Fernandes para o Senado.
Uma disputa que envolve a própria família Gomes
A rivalidade eleitoral entre Cid e Ciro é resultado de um rompimento político que se tornou público em 2022. Naquele ano, os irmãos divergiram sobre os rumos do grupo político no Ceará, especialmente em relação à aliança com o PT e à disputa pelo Governo do Estado. Desde então, os dois passaram a seguir caminhos políticos diferentes.
Em 2026, a divisão chegou diretamente às urnas. Cid Gomes está na chapa de Elmano, enquanto Ciro Gomes disputa o Governo contra o atual governador.
A situação ganhou ainda mais peso porque os dois irmãos já ocuparam o Palácio da Abolição. Ciro governou o Ceará entre 1991 e 1994, enquanto Cid foi governador de 2007 a 2014, após ter sido eleito em 2006 e reeleito em 2010.
A ruptura entre os dois também foi abordada durante o debate entre Ciro e Elmano realizado em setembro. Questionado sobre a relação com o irmão, Ciro afirmou que o assunto ainda o machuca e preferiu não responder diretamente à pergunta. Elmano, por sua vez, defendeu Cid e afirmou que o senador não teria traído o grupo político.
Ciro retorna ao cenário estadual
A eleição de 2026 representa o retorno de Ciro Gomes à disputa pelo Governo do Ceará após 32 anos desde sua saída do cargo.
Depois de deixar o Governo, Ciro construiu uma trajetória nacional. Foi ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, ministro da Integração Nacional no primeiro governo Lula e disputou quatro vezes a Presidência da República.
Em 2025, voltou ao PSDB, partido pelo qual havia sido eleito governador em 1990, e passou a construir sua candidatura ao Governo do Ceará.
A campanha de 2026, porém, recoloca Ciro no cenário político estadual em uma aliança diferente das que marcaram sua trajetória anterior. O apoio do PL aproximou o candidato de setores ligados ao bolsonarismo no Ceará. A aliança chegou a provocar divergências dentro do próprio campo político, especialmente entre lideranças ligadas à família Bolsonaro.
Lula, Camilo e Cid ao lado de Elmano
No outro campo da disputa, Elmano de Freitas tenta conquistar um segundo mandato consecutivo. O governador conta com o apoio do presidente Lula e dos senadores Cid Gomes e Camilo Santana.
Na convenção que oficializou a candidatura de Elmano à reeleição, Lula, Elmano, Cid e Camilo estiveram juntos no mesmo palanque. A presença dos três principais aliados reforçou a composição da base governista para a eleição estadual.
A participação de Cid também tem uma dimensão própria na disputa pelo Senado. O senador decidiu concorrer à reeleição após um pedido de Lula e passou a integrar diretamente a chapa que apoia Elmano. Do outro lado, Ciro apoia Alcides Fernandes, candidato do PL ao Senado.
Assim, a disputa pelo Governo e pelo Senado coloca os irmãos Gomes novamente em lados opostos: Cid busca a permanência no Senado ao lado de Elmano, Lula e Camilo; Ciro tenta voltar ao Governo do Ceará apoiado por uma aliança que reúne PSDB, PL, União Brasil e PP.