Eleições nos EUA podem impor revés político a Trump e fortalecer democratas

© JONATHAN ERNST

O Partido Democrata chega às eleições legislativas dos Estados Unidos, nesta terça-feira, com perspectivas favoráveis de ampliar sua presença no Congresso, mas também sob um clima de preocupação diante da possível reação do presidente Donald Trump a uma eventual derrota republicana. Pesquisas divulgadas nos últimos dias da campanha, encerrada na segunda-feira, indicaram que os democratas têm boas chances de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes e, em menor proporção, no Senado.

Em meio à alta dos preços dos alimentos, dos combustíveis e da moradia, os eleitores norte-americanos demonstram mobilização expressiva nas eleições de meio de mandato. Mais de 53 milhões de pessoas já votaram antecipadamente, estabelecendo um recorde nesse tipo de votação.

Em entrevista ao podcast do jornal New York Post, Trump indicou que não pretende aceitar passivamente uma eventual perda do controle do Congresso, atualmente dominado pelos republicanos. O presidente admitiu a possibilidade de conceder indultos a aliados e afirmou que poderá barrar propostas legislativas caso os democratas conquistem a maioria em uma ou nas duas Casas.

“Vou me transformar no Senhor Veto”, declarou o republicano.

Trump também afirmou que pretende utilizar o poder de veto como instrumento de pressão sobre os adversários políticos. Segundo ele, os democratas apresentarão propostas que serão rejeitadas pela Presidência até que as partes cheguem a um entendimento.

“Eles vão enviar propostas, você vai vetá-las e, no fim, depois de um ou dois meses de vetos contínuos (…), virão até você e chegarão a um acordo”, afirmou. O presidente também se referiu aos democratas como pessoas que, segundo ele, “odeiam” os Estados Unidos.

Pela Constituição norte-americana, o Congresso pode derrubar um veto presidencial desde que consiga reunir o apoio de dois terços dos parlamentares tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. A obtenção dessa maioria qualificada, no entanto, é considerada um desafio para os democratas.

Questionado sobre a possibilidade de conceder perdão presidencial a todos os aliados que trabalharam em seu favor, Trump respondeu que não hesitaria em tomar essa decisão.

“Nem sequer pensaria duas vezes (…) Eu faria isso. Fiz isso com os do 6 de janeiro”, declarou.

A referência diz respeito aos cerca de 1.500 indultos concedidos por Trump no primeiro dia de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, a pessoas condenadas ou acusadas de envolvimento na invasão do Capitólio, em Washington, ocorrida em 6 de janeiro de 2021.