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A recuperação econômica não está ameaçada pelas eleições. Pelo menos, é isso que o presidente Michel Temer, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nessa quarta-feira, 24, garantiu a empresários de todo o mundo. Mesmo sob a pressão do rebaixamento da nota de risco do País, Temer insistiu na tese de que está “transformando” o Brasil e não deixou de atacar governos passados, alertando para o populismo econômico e lembrando aos executivos que “herdou” uma crise.

Nos últimos dias, alguns dos principais empresários e organizadores de Davos deixaram claro que as dúvidas que existem sobre o Brasil são de natureza política, principalmente por conta das eleições e do julgamento nessa quarta-feira, 24, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem dizer uma só palavra sobre o processo em Porto Alegre, Temer buscou passar uma mensagem de tranquilidade aos mercados. Segundo ele, o Brasil que vai às urnas em outubro sabe que a responsabilidade dá resultados e traz equilíbrio das contas, crescimento e empregos, além de viabilizar políticas sociais.

Temer ainda usou o palco para convocar os investidores a apostar no Brasil.  No discurso, ele apresentou os números do País e insistiu que a economia voltou a crescer, trazendo números positivos, como a inflação, que chegou aos dois dígitos, mas que fechou 2017 novamente sob controle, em menos de 3%. O presidente ainda falou sobre a queda nas taxas de juros, que atingiram o menor patamar histórico e sobre a safra agrícola brasileira, que, ano passado, bateu recordes.

Outro ponto do discurso foi sua promessa de que as reformas continuarão, segundo ele, para “modernizar a economia, o ambiente de negócios, o mercado de trabalho, a gestão pública e a administração de empresas estatais”. Além da Previdência, o presidente disse que quer reformar também o sistema tributário brasileiros, “para facilitar a vida do empresário, do trabalhador e do cidadão brasileiro”, lembrou.

Populismo

Para explicar a situação do País, Temer não deixou de criticar os governos passados e indicou que, em sua gestão, a meta era a de ser “responsável”. O chefe do Executivo brasileiro lembrou que ao lidar com a crise rejeitou “os falsos atalhos populistas”, pois havia de governar com visão de longo prazo. Ele ainda apontou que adotou transparência em relação às contas públicas.

Temer insistiu que a responsabilidade do governo também é social, mas, segundo ele, sem responsabilidade fiscal não há responsabilidade social, pois são duas faces da mesma moeda. Num discurso cuidadosamente talhado para atender aos empresários, Temer ainda tentou dar um sinal de que sua gestão é marcada pela “eficiência”, reafirmando que as reformas encabeçadas pelo seu governo garantirão um futuro melhor para o Brasil.

Privatização

Temer ainda indicou que vai “racionalizar o Estado”. “Adotamos modelo de concessões e privatizações realista, com marco regulatório seguro e estável. Em apenas um ano e meio, foram 70 projetos licitados à iniciativa privada – e mais 75 ainda o serão em 2018”, disse. O presidente listou as áreas que oferecer oportunidades aos estrangeiros: portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, linhas de transmissão, jazidas de gás e petróleo.

Ciente da necessidade de recuperar a imagem da Petrobras depois da Operação Lava Jato, Temer destacou a aprovação das novas leis das estatais. “Instituímos regras objetivas para o setor de petróleo e gás, desobrigando o Estado de necessariamente participar, por meio da Petrobras, de todas as atividades de exploração do Pré-Sal”, explicou.

Abertura

Por fim, Temer explicou como o governo passou a adotar uma nova política comercial, baseada em uma maior abertura, se distanciando da estratégia do governo Dilma. Ele, porém, deixou claro que não compartilha das tendências registradas no governo americano de Donald Trump, por acreditar que “o protecionismo não é solução”. “Nosso governo tem atuado para integrar, cada vez mais, o Brasil à economia global. Junto com nossos sócios do Mercosul, resgatamos a vocação original do bloco para o livre mercado. Identificamos barreiras ao comércio e estamos tratando de eliminá-las”, disse.

Temer indicou como novos acordos foram assinados no Mercosul, a adesão à OCDE, a aproximação aos países da Aliança do Pacífico e a abertura de processos de negociação com Canadá, Coreia do Sul e Cingapura. Ele ainda aposta na perspectiva “realista” de concluir o acordo Mercosul-União Europeia “Nosso País saiu mais forte da crise e retornou ao trilho do desenvolvimento. Agora que as grandes economias voltam a crescer simultaneamente, estamos dando – e daremos cada vez mais – nossa contribuição. O Brasil está de volta – e convidamos todos a fazer parte deste novo momento de nossa História”, concluiu.

Com informações do Jornal O Povo