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Candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad deve antecipar a estratégia de um discurso mais moderado, previsto para ser adotado no segundo turno da eleição presidencial. Os primeiros sinais nesse sentido começam a ser elaborados. Entre as ações previstas neste novo momento da campanha petista, estão a sinalização ao mercado de que, uma vez no poder, o partido não adotará a política fiscal do governo Dilma Rousseff, que levou o país à crise econômica.

Na segunda-feira, durante sabatina promovida pelo SBT-Uol-Folha, Haddad já mandou um recado ao dizer que o economista Marcio Pochmann foi apenas um colaborador do programa de governo do PT, “como outros 300 participaram”. Pochmann é visto pelo mercado como um economista sem compromisso com as reformas.

A ideia do candidato do PT é também passar ao eleitor que a disputa irá opor a “civilização contra a barbárie”. Haddad vai destacar ser um conciliador. Como prefeito de São Paulo, o candidato tinha boa relação com o então o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na época, também teve encontros com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em ato de campanha no domingo, Haddad chegou a falar na possibilidade de diálogo com os tucanos. “O próprio PSDB já fez uma autocrítica. Isso é muito importante porque constrói possibilidades de diálogo depois das eleições”, disse o petista.

Haddad se referia a uma entrevista do senador Tasso Jereissati ao Jornal O Estado de São Paulo, em que o tucano critica a contestação feita por seu próprio partido ao resultado da eleição presidencial de 2014. Em nenhum momento, Jereissati falava do impeachment.

Até o momento, a linha central da campanha de Haddad vem sendo a vinculação máxima a Lula para permitir a transferência de votos do ex-presidente. De acordo com um aliado, essa estratégia teve o seu auge na entrevista ao “Jornal Nacional”, na última sexta-feira. Na ocasião, o candidato vestiu uma gravata vermelha e começou a sua participação com um “boa noite, presidente Lula”. Esse roteiro deve ficar para trás, com a confirmação da polarização com Bolsonaro.

Indulto a Lula

Nessa terça-feira, o candidato do PT foi mais incisivo na sua negativa sobre a concessão de um possível indulto a Lula, caso seja eleito presidente. Após ser apertado sobre o tema em sabatina promovida pela rádio “CBN” e portal “G1” Haddad descartou adotar a medida mesmo que os tribunais superiores confirmem a sentença conta o ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro. “A resposta é não. Não ao indulto”, respondeu.

Antes, o petista se limitava a dizer que Lula não tinha interesse no indulto porque seu desejo era provar a sua inocência. O assunto veio à tona após o Jornal Estado de Minas publicar declaração do governador Fernando Pimentel (PT), dizendo que Haddad daria o indulto a Lula “em seu primeiro dia de governo”.

Na sabatina, o presidenciável disse que nunca discutiu perdão judicial ao ex-presidente com Pimentel nem o autorizou a falar em seu nome. Reservadamente, dirigentes e lideranças do PT admitem a possibilidade de Haddad dar um indulto a Lula.

Na reunião da coordenação de campanha, realizada ontem, antes da divulgação da pesquisa Ibope, foi avaliado que a transferência de votos está num ritmo até mais rápido do que o esperado, mas ainda não terminou. Sem a presença do candidato que estava em campanha em Santa Catarina, Os petistas discutiram que devem ficar atentos aos números de Bolsonaro nas pesquisas para que não ocorra um eventual crescimento acelerado que lhe dê chances de vencer a disputa no primeiro turno.

Com informações do Jornal O Globo