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O número de trabalhadores desalentados cresceu 17,8% em um ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira, 30. O percentual mostra que 4,8 milhões de trabalhadores estavam no desalento, ou seja, desistiram de procurar emprego, entre maio e julho deste ano. Em igual período do ano passado, este número era de 4,1 milhões.

O aumento do percentual de desalentados vai na contramão da queda da taxa de desemprego para 12,3% em julho o número de trabalhadores desalentados — que não estão trabalhando mas não procuram emprego porque acreditam que não conseguirão uma vaga — cresceu 17,8% em um ano. Com isso, o percentual de brasileiros desalentados na força de trabalho ficou em 4,4%. Um ano atrás, esse percentual era de 3,8%.

Especialistas avaliam que o desemprego elevado por muito tempo tem empurrado mais trabalhadores para o desalento. Muitos desistem de procurar um emprego porque não conseguem sequer cobrir as despesas de transporte e outros custos para buscar uma vaga. E o número de desalentados não inclui quem está na informalidade, vivendo de bicos.

Também aumentou o total de brasileiros que trabalhavam menos horas do que gostariam. Ao todo, 6,6 milhões estavam nessa situação em julho. É um número 9,3% maior do que no mesmo período de 2017.

A partir da divulgação de hoje, o IBGE passou a publicar informações sobre desalento e subocupação por insuficiência de horas trabalhadas junto com a taxa mensal de desemprego. Até então, os dados sobre desalento e subocupação eram divulgados um mês depois, em pesquisa mais completa, junto com informações sobre o desemprego nos diferentes estados do país.

O IBGE informou também que aumentou a taxa de subutilização da força de trabalho, percentual que inclui os desalentados, os subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e os trabalhadores que estão na força de trabalho potencial. Essa taxa é uma medida da fragilidade do mercado de trabalho mais ampla do que apenas o desemprego e subiu de 23,9% em julho do ano passado para 24,5% agora.

Entenda os números

4,8 milhões de desalentados:

São os trabalhadores que estão desempregados mas nem procuraram vaga na semana. Inclui quem se acha muito jovem, muito idoso, pouco experiente, sem qualificação ou acredita que não encontrará oportunidade no local onde reside. O número de desalentados é influenciado por vários fatores, até por notícias relacionadas à crise. Parte das pessoas que tem contato com informações sobre aumento de número de desempregados simplesmente desiste de procurar.

12,9 milhões de desempregados:

São os brasileiros que procuraram uma vaga na semana da pesquisa do IBGE, mas não encontraram.

6,6 milhões de subocupados:

São brasileiros que fizeram algum tipo de trabalho, mas que dedicaram menos de 40 horas semanais a isso e gostariam de trabalhar por um período maior. Um profissional freelancer ou alguém que faça bicos e não está conseguindo muitos trabalhos se encaixa nessa situação.

8,1 milhões na força de trabalho potencial

Esse grupo inclui os 4,8 milhões de desalentados e outros que, por um motivo qualquer, não estavam disponíveis para trabalhar. São trabalhadores que, na semana da pesquisa do IBGE, estavam com problemas de saúde ou tinham compromissos como a necessidade de cuidar de crianças ou idosos e, por isso, declararam que, naquele período, não estavam disponíveis para trabalhar.

Com informações do Jornal O Globo