O elevado endividamento das famílias brasileiras, a pressão da inflação sobre o orçamento doméstico e o crescimento dos gastos com apostas esportivas online começam a dar sinais mais claros de impacto sobre a economia. Dados divulgados em abril mostram que a capacidade de consumo dos brasileiros segue enfraquecida, refletindo diretamente no desempenho do comércio varejista.
De acordo com os números mais recentes, o volume de vendas do comércio varejista caiu 1,5% em abril na comparação com março, interrompendo o ritmo de recuperação observado nos meses anteriores. O resultado reforça as preocupações com a redução do poder de compra das famílias, que enfrentam um cenário de alto comprometimento da renda com dívidas e despesas básicas.
Embora o varejo ainda apresente crescimento de 1% em relação a abril de 2025, o desempenho ficou bem abaixo dos 4% registrados em março, sinalizando desaceleração da atividade econômica.
No varejo ampliado, que inclui setores como veículos e material de construção, a queda foi de 0,7% em abril, evidenciando um enfraquecimento mais amplo do consumo.
Entre os segmentos que mais recuaram estão combustíveis e lubrificantes (-6,2%), artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%), informática e comunicação (-4,5%), além de móveis e eletrodomésticos (-0,8%). São setores diretamente ligados ao consumo das famílias e que costumam sentir rapidamente os efeitos da perda de renda disponível.
Especialistas apontam que o cenário é agravado pelo avanço das apostas online. Estudos recentes mostram que bilhões de reais têm sido direcionados mensalmente às plataformas de bets, retirando recursos que tradicionalmente seriam destinados ao consumo, à poupança ou ao pagamento de dívidas.
Com mais de 80% das famílias brasileiras endividadas, segundo levantamentos recentes, cresce a preocupação de economistas com a combinação entre crédito caro, inadimplência elevada e a falsa expectativa de ganho rápido por meio das apostas esportivas.
Apesar da retração geral, os supermercados e estabelecimentos de alimentos registraram crescimento de 1,3%, indicando que o consumidor continua priorizando gastos essenciais em detrimento de compras consideradas menos urgentes.
Os números reforçam os sinais de alerta sobre a economia brasileira: enquanto o emprego e a renda seguem pressionados, o aumento do endividamento e a expansão das bets reduzem a capacidade de consumo das famílias e freiam o ritmo de crescimento do comércio.
