Enel São Paulo reage à Aneel e contesta processo que pode levar à perda da concessão; no Ceará, empresa é alvo de queixas

A Enel São Paulo apresentou defesa à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) contestando os fundamentos utilizados pela agência para abrir o processo que pode resultar na recomendação de caducidade da concessão da distribuidora.

O documento foi protocolado no último dia do prazo, em 13 de maio, e amplia o embate entre a concessionária e o setor regulador diante das críticas sobre a qualidade dos serviços prestados.

Na defesa, a Enel afirma que a Aneel utilizou critérios inexistentes na regulação do setor elétrico, ignorou o cumprimento do plano de recuperação apresentado pela empresa e aplicou tratamento diferente daquele adotado para outras distribuidoras do país.

A companhia pede:

  • anulação da decisão que instaurou o processo;
  • arquivamento do caso sem recomendação de caducidade;
  • e, subsidiariamente, análise de pareceres técnicos anexados à defesa, incluindo estudo da consultoria Alvarez & Marsal.

A empresa também solicitou realização de perícia técnica.

PROCESSO FOI ABERTO APÓS APAGÕES E FALHAS

O processo administrativo foi aberto pela diretoria da Aneel em abril deste ano após análise da atuação da distribuidora em eventos climáticos severos registrados em 2023, 2024 e 2025 na área de concessão da capital paulista.

Segundo a agência reguladora, a concessionária não teria solucionado estruturalmente problemas apontados após a tempestade registrada em outubro de 2024.

Entre as falhas citadas pela Aneel estão:

  • demora no restabelecimento do fornecimento de energia;
  • tempo elevado no atendimento emergencial;
  • interrupções prolongadas superiores a 24 horas;
  • e falhas no plano de contingência para eventos climáticos extremos.

EMPRESA DIZ QUE CUMPRIU INDICADORES

Na defesa apresentada, a Enel sustenta que os indicadores oficiais utilizados pela regulação para medir qualidade do serviço — DEC e FEC — foram cumpridos nos últimos anos.

Os índices avaliam:

  • duração média das interrupções;
  • e frequência das quedas de energia.

A companhia também cita relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) segundo o qual não haveria descumprimento dos critérios regulatórios objetivos capazes de justificar abertura de processo de caducidade.

Segundo a empresa, o caso é considerado inédito no setor elétrico por estar baseado exclusivamente em alegações relacionadas à qualidade da distribuição de energia.

A Enel argumenta que processos anteriores de caducidade envolvendo outras concessionárias, como CEA, do Amapá, e CEEE, do Rio Grande do Sul, incluíam também perda das condições econômico-financeiras das empresas.

SITUAÇÃO DA ENEL CEARÁ AINDA É INCERTA

A Enel Ceará também ficou fora da lista de concessionárias contempladas com renovação contratual pelo Governo Federal, assim como as distribuidoras do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Até o momento, porém, a empresa ainda não informou oficialmente se adotará medidas para contestar a decisão do governo de não renovar automaticamente a concessão no Ceará.