Mesmo diante dos desdobramentos da operação da Polícia Federal que investiga o escândalo envolvendo o Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) permanece no cargo de líder do Governo Lula no Senado e, até o momento, não dá sinais de que pretende deixar a função para reduzir desgastes políticos ao Palácio do Planalto.
Integrante do grupo político conhecido como “República da Bahia”, Wagner passou a enfrentar forte pressão interna após a investigação alcançar seu nome e ampliar o alcance político do caso, aproximando o governo federal do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
Nos bastidores do Planalto, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem que a eventual saída de Wagner ajudaria a separar um problema de caráter pessoal da atuação institucional do governo, especialmente em um momento de preparação para as eleições de 2026.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, chegou a ser apontado por governistas como um dos defensores da substituição de Wagner na liderança do governo no Senado. Sidônio, porém, nega ter levado essa sugestão ao presidente Lula.
Enquanto setores do governo trabalham para evitar que o escândalo atinja diretamente o presidente da República, Jaques Wagner resiste a deixar o posto e aposta na sólida relação de amizade construída ao longo de mais de quatro décadas com Lula.
Grupo da “República da Bahia” perde força
A chamada “República da Bahia” ganhou protagonismo no terceiro mandato de Lula e reúne nomes como Jaques Wagner, Sidônio Palmeira e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, que deixou o governo para disputar uma vaga ao Senado.
O grupo também foi decisivo para a escolha de Wellington César Lima e Silva para o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública após a saída de Ricardo Lewandowski.
Apesar das pressões, aliados afirmam que qualquer decisão sobre a permanência de Wagner na liderança deverá ser discutida pessoalmente com Lula. A expectativa é que os dois se encontrem nos próximos dias, em Brasília.
No entorno presidencial, há quem avalie que a iniciativa de deixar o cargo deveria partir do próprio senador para evitar constrangimentos ao presidente. No entanto, não está descartada uma intervenção direta de Lula caso o desgaste político aumente.
Investigação da PF aumenta pressão
Jaques Wagner foi alvo de operação da Polícia Federal na última quinta-feira. A investigação apura suspeitas de que o senador teria recebido “vantagens indevidas” do Banco Master para favorecer interesses do banqueiro Daniel Vorcaro e de seu ex-sócio Augusto Lima.
O parlamentar nega qualquer irregularidade e afirma não possuir relação ilícita com o banco.
Atuação política também é alvo de críticas
Além da investigação, a atuação de Wagner à frente da liderança do governo no Senado vem sendo questionada por integrantes da base aliada.
Entre os episódios que geraram insatisfação no Planalto está o acordo firmado com a oposição para não obstruir a tramitação do projeto da dosimetria penal, considerado favorável ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também pesam críticas relacionadas à articulação política para a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou derrotada no Senado, impondo um revés histórico ao presidente Lula.
Apesar das pressões internas e externas, Jaques Wagner segue no cargo e aposta na confiança pessoal do presidente para permanecer como principal interlocutor do governo no Senado.
