Escândalo dos descontos no INSS ganha novos contornos: PF revela lavagem de dinheiro em pizzaria, imobiliária e escritório de advocacia ligados ao ex-presidente Alessandro Stefanutto

O maior escândalo de desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas da história da Previdência Social brasileira ganhou novos e estarrecedores contornos. A Polícia Federal apontou, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto utilizou uma pizzaria, uma imobiliária e um escritório de advocacia como empresas de fachada para lavar dinheiro oriundo do esquema criminoso.

INDICAÇÃO DE LUPI

Indicado pelo então ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) para comandar o INSS no governo Lula, Stefanutto foi preso nesta quinta-feira (13), por ordem do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

O documento da PF, ao qual a imprensa teve acesso, revela que Stefanutto era identificado dentro da organização criminosa pelo codinome “O Italiano” e atuava como facilitador político-institucional, garantindo a celebração de contratos fraudulentos entre o INSS e a Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), entidade suspeita de forjar assinaturas e desviar recursos de aposentados por meio de descontos ilegais.

DESVIO PASSOU DE R$ 400 MIL PARA R$ 277 MILHÕES

A Conafer é a entidade investigada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) que mais aumentou, em números absolutos, os descontos em aposentadorias e pensões do INSS entre os anos de 2019 e 2024. Saltou de R$ 400 mil para R$ 277 milhões. “Ficou claro que, em troca de sua influência, Stefanutto recebia propinas recorrentes, utilizando diversas empresas de fachada para ocultar os valores, como Stelo Advogados e Associados, Delícia Italiana Pizzas e Moinhos Imobiliária”, aponta o relatório.

PROPINA DE R$ 250 MIL

A PF afirma ainda que, após ser alçado à presidência do INSS, o valor da propina paga a Stefanutto subiu para R$ 250 mil mensais, diretamente alimentados pelo escoamento da fraude em massa praticada pela Conafer.

Antes de ser nomeado por Lupi, Stefanutto era procurador do INSS. Para os investigadores, sua atuação permitia o funcionamento e a proteção do esquema dentro da própria estrutura do órgão: “Na hierarquia da organização, ele integrava o núcleo político-institucional, responsável por garantir o funcionamento e a impunidade do esquema fraudulento a partir de dentro do INSS”, diz a PF.