Estados Unidos aumentam tarifa sobre produtos do Brasil e setores já avaliam possíveis prejuízos

Foto: Pedro Kirilos/Agencia O Globo

A tarifa efetiva cobrada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros deverá ser de 16,8%, estima o banco americano Goldman Sachs.

Com o aumento da tarifa para 25%, anunciado na madrugada de quinta-feira (dia 16) pelo governo americano, o Brasil terá a maior alíquota cobrada sobre todos os seus produtos exportados aos EUA na comparação com outros países da América Latina, de acordo com o diretor de pesquisa macroeconômica do banco Alberto Ramos.

A tarifa efetiva leva em conta o total de exportações aos EUA, incluindo aqueles produtos isentos. Por isso, a tarifa efetiva total é mais baixa. De acordo com o banco, esse conjunto amplo de produtos isentos da cobrança somam US$ 2,1 bilhões em exportações ao país.

A tarifa de 25%, calcula o banco, vai impactar em 26% das importações brasileiras pelos americanos, que representam US$ 10,2 bilhões em produtos.

O cálculo “pressupõe que a tarifa de 12,5% da Seção 301 relacionada ao trabalho forçado, que foi proposta, substituirá a tarifa global de 10% da Seção 122 quando esta expirar”, no próximo dia 24.

O Goldman Sachs afirma que o governo brasileiro deve oferecer linhas de crédito subsidiadas aos setores e indústrias exportadoras mais afetados. “Também esperamos que as autoridades brasileiras venham a considerar, eventualmente, medidas de retaliação comercial pontuais e limitadas, apesar do alerta da USTR de que uma retaliação poderá levar à adoção de medidas ainda mais severas”, diz Alberto Ramos, no relatório.

Depois do Brasil, o Peru ocupa o segundo lugar na região de país mais tarifado pelos EUA, com tarifa efetiva de 8,5% sobre suas exportações aos americanos. O país é seguido do México, com tarifa efetiva de 7,2%, e da Argentina, com tarifa efetiva de 7,1%.