Um estudo publicado na revista científica Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology, do grupo Nature, revelou que bebês já nascem com substâncias químicas conhecidas como PFAS no organismo — compostos associados, em pesquisas, a possíveis riscos à saúde, incluindo a leucemia infantil.
Os PFAS, chamados de “químicos eternos” por sua alta persistência no ambiente e no corpo humano, estão presentes em itens do cotidiano, como panelas antiaderentes, embalagens de fast-food, roupas impermeáveis e até na água contaminada. Estudos anteriores indicam que essas substâncias já foram detectadas na corrente sanguínea de 98% dos americanos.
A pesquisa analisou 344 crianças nascidas na Califórnia entre 2000 e 2015, utilizando amostras de sangue coletadas nas primeiras horas de vida. Do total, 125 desenvolveram leucemia linfoblástica aguda antes dos 18 anos, enquanto 219 não apresentaram câncer.
Os cientistas buscaram inicialmente 23 tipos de PFAS e encontraram 17 deles. Além disso, identificaram outros 26 compostos químicos relacionados, ampliando o alerta sobre a exposição precoce.
Os dados indicaram que crianças com maior exposição a substâncias como PFOS e PFOA apresentaram risco até 56% e 64% maior de desenvolver leucemia. No entanto, os pesquisadores ressaltam que esses resultados não são estatisticamente conclusivos, podendo ocorrer por acaso.
Já em relação a outros PFAS menos conhecidos, detectados por técnicas mais amplas, o risco chegou a ser até cinco vezes maior, embora os próprios autores alertem que esses achados são exploratórios e precisam de confirmação em estudos maiores.
Apesar das incertezas, o estudo reforça a preocupação da comunidade científica com a exposição precoce a substâncias químicas persistentes e seus possíveis impactos no desenvolvimento infantil, destacando a necessidade de novas pesquisas e maior controle ambiental.
