Estudo aponta que mulheres com endometriose têm 46% mais risco de desenvolver diabetes tipo 2

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Um amplo estudo internacional trouxe um novo alerta sobre os impactos da endometriose na saúde feminina. Pesquisa publicada em 6 de agosto na revista científica Diabetologia concluiu que mulheres diagnosticadas com a doença apresentam 46% mais chances de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aquelas que não têm endometriose.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade George Mason, nos Estados Unidos, em parceria com instituições de Utah, Arizona, Brigham and Women’s Hospital e Intermountain Health. A investigação acompanhou cerca de 3 milhões de mulheres ao longo de 25 anos, tornando-se a maior já realizada para avaliar a relação entre endometriose e diabetes tipo 2.

Entre as participantes, aproximadamente 100 mil mulheres tinham diagnóstico de endometriose. Os pesquisadores observaram que o risco de diabetes varia conforme o tipo da doença, sendo mais elevado nos casos de endometriose extrapélvica, quando o tecido endometrial se desenvolve fora da região da pelve.

Os autores ressaltam que o estudo identifica uma associação estatística, mas não comprova que a endometriose seja a causa direta do diabetes tipo 2. Ainda assim, os resultados indicam que a doença pode provocar consequências para a saúde muito além do sistema reprodutivo.

Segundo a principal autora da pesquisa, a doutora Maggie Fuzak Nunziato, os resultados reforçam uma nova compreensão sobre a enfermidade.

“Estudos anteriores analisavam a endometriose principalmente como uma condição isolada e encontravam pouca ou nenhuma associação com o diabetes tipo 2. Nossos resultados mostram que a doença pode afetar mais do que apenas a saúde reprodutiva.”

Os pesquisadores também identificaram que a associação foi mais intensa entre mulheres na pré-menopausa e com obesidade, grupo que já apresenta maior predisposição ao diabetes tipo 2.

Uma das hipóteses levantadas é que a inflamação crônica provocada pela endometriose possa influenciar alterações metabólicas relacionadas ao desenvolvimento da doença, embora novos estudos sejam necessários para confirmar essa relação.

A equipe científica defende a realização de novas pesquisas para compreender os mecanismos biológicos envolvidos e avaliar a importância da triagem metabólica precoce em pacientes com endometriose.

Segundo o Ministério da Saúde, a endometriose é caracterizada pelo crescimento do tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, provocando um processo inflamatório crônico. A doença afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva e pode causar dor intensa, infertilidade e outras complicações. Agora, o novo estudo indica que ela também pode estar associada a um maior risco de doenças metabólicas, ampliando a necessidade de acompanhamento médico dessas pacientes.