Quase metade dos brasileiros nascidos em famílias que integravam os 25% de menor renda do país permanece nessa mesma condição econômica ao chegar à vida adulta. É o que revela a nova edição do Atlas da Mobilidade Social, plataforma pública e interativa desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab.
Segundo o estudo, 48% dos filhos das famílias mais pobres continuam entre os 25% de menor renda quando têm entre 25 e 29 anos. Desse grupo, 23,97% permanecem na faixa de renda mais baixa da população, correspondente aos 10% dos lares com menor rendimento do país.
Entre os 52% que conseguem melhorar a renda em relação à família de origem, a mobilidade ainda é limitada. Cerca de 73,83% continuam inseridos na metade da população de menor renda, o que representa quase três em cada quatro pessoas.
O levantamento também mostra que, embora exista uma probabilidade de 73,76% de os filhos das famílias mais pobres alcançarem uma renda ao menos 10% superior à dos pais, esse avanço costuma ser modesto e insuficiente para representar uma ascensão social significativa.
Para a pesquisa, foram consideradas como integrantes dos 25% mais pobres as famílias com renda domiciliar mensal de até R$ 2.183,41, em valores corrigidos para dezembro de 2019. Já entre os filhos adultos, a metade da população de menor renda corresponde àqueles que recebiam até R$ 1.641,34 por mês, na faixa etária de 25 a 29 anos.
O Atlas da Mobilidade Social acompanha aproximadamente sete milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990. A análise compara a renda média das famílias durante a infância e a adolescência dos participantes com os rendimentos obtidos por eles na vida adulta, utilizando registros administrativos e dados de pesquisas domiciliares do IBGE.