A perda de um familiar por suicídio produz efeitos que se estendem muito além do evento imediato. Entre os familiares que conviviam com a pessoa falecida, as repercussões afetam de maneira substancial o processo de luto, assim como a saúde e o bem-estar.
Segundo estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz, familiares coabitantes de alguém que morreu por suicídio apresentam 32% mais risco de morrer por qualquer causa e mais de quatro vezes o risco de morrer por suicídio.
Realizada pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos em Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), a pesquisa utilizou dados da Coorte de 100 Milhões de Brasileiros , uma das maiores bases populacionais do país, vinculada ao Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), e analisou registros de 2001 a 2018. Foram identificados 47.982 primeiros casos de suicídio dentro da família e todos os demais residentes dessas casas foram considerados expostos a este evento.
De acordo com o estudo, 43,6% dos óbitos entre familiares coabitantes ocorrem até dois anos após o caso inicial de suicídio ao qual foram expostos, período em que o impacto emocional e social tende a ser mais intenso.
Mais da metade dos suicídios ocorreu dentro de dois anos após o caso inicial de suicídio. Os riscos de mortalidade foram mais elevados quando os casos-índice eram jovens (16%) ou do sexo feminino (27%) e entre aqueles que viviam em condições mais precárias de moradia.
Informações – Fiocruz
