Ex-presidente do INSS diz que plano para reduzir fila travou na Casa Civil enquanto demanda dispara

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O ex-presidente do INSS, Gilberto Waller, afirmou que o instituto já tinha, desde janeiro, um plano estruturado para reduzir a fila de benefícios, mas a proposta não avançou por falta de aval da Casa Civil da Presidência da República.

Segundo Waller, o projeto foi elaborado em conjunto com a própria Casa Civil, a Dataprev e o Ministério da Previdência Social, e previa reduzir a fila para 1,3 milhão de pedidos até o fim do governo.

Mesmo sem a implementação completa, algumas medidas começaram a ser aplicadas, como o uso do Atestemed, ferramenta digital que permite solicitar auxílio por incapacidade temporária pelo aplicativo Meu INSS, além de mutirões aos fins de semana para acelerar atendimentos.

“Fizemos algumas ações que já deram resultado, mas não sei por que a Casa Civil não bateu o martelo sobre o plano”, declarou Waller.

Dados do Boletim Estatístico da Previdência (BEPS) mostram que a situação segue crítica: a fila de espera praticamente triplicou desde janeiro de 2023, início do atual governo. Após atingir um pico de 3,1 milhões de pedidos em fevereiro deste ano, o número recuou para 2,7 milhões no mês passado. Ainda assim, o sistema continua pressionado, com a entrada de cerca de 61 mil novos pedidos por dia.

Waller havia assumido o comando do INSS em abril de 2025, em meio ao escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Apesar das iniciativas, enfrentava desgaste na relação com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e disse ter sido surpreendido com a demissão anunciada na última segunda-feira (13).

O cenário expõe a dificuldade do governo em dar resposta a uma das maiores demandas sociais do país: reduzir as filas e garantir atendimento mais ágil aos segurados.