A Secretaria do Trabalho do Ceará (SET) em parceria com a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), promovem Feira de Economia Popular e Solidária na 70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Estado do Ceará (Expoece), que segue até dia 8 de novembro (domingo), no Parque de Exposições Governador César Cals, em Fortaleza.
Visando fortalecer a Economia Popular e promover a geração de renda, a feira conta com 50 expositores, grupos de produção vinculados as Redes de empreendimentos de Economia Popular Solidária, a exemplo da Rede Cearense de Socioeconomia e Solidária, Rede Estrela de Iracema e Associação das Mulheres Empreendedoras, com representação de 10 municípios cearenses: Fortaleza, Caucaia, Guaiúba, Pacatuba, Paraipaba, Aracati, Guaramiranga, Horizonte, Aquiraz e Itarema.
Os grupos representam a diversidade da Economia Popular e Solidária no Ceará, contemplando iniciativas de artesanato, produção associativa, gastronomia e outras atividades produtivas, articuladas por meio de redes, associações, cooperativas e grupos comunitários. A participação demonstra a abrangência territorial e a importância da articulação entre os empreendimentos e as redes de Economia Popular e Solidária, contribuindo para o fortalecimento da produção coletiva, da organização comunitária e da geração de trabalho e renda.
O Secretário Executivo do Trabalho, Paulo Ferreira, ressalta a importância de incentivar o segmento, “A Economia Popular e Solidária tem um papel muito importante na geração de trabalho e renda, porque valoriza os saberes, a criatividade e a capacidade de organização das pessoas. Ela está presente em todo o Ceará, dos grandes centros aos pequenos municípios, e é uma estratégia fundamental para ampliar oportunidades e fortalecer a economia local.”
Paulo também destaca a participação na terceira maior exposição agropecuária do Nordeste, “Estar na Expoece é levar essa produção para novos espaços, aproximar os empreendedores do público e criar oportunidades para que esses negócios cresçam e conquistem novos mercados.”
A artesã Emília, de Caucaia, trabalha com artesanato há mais de 14 anos e integra a Rede Cearense de Economia Popular e Solidária. Ela produz peças de tricô, crochê e artigos feitos com materiais reciclados, como papel e papelão. O ofício começou como um aprendizado com a avó, que lhe ensinou os trabalhos manuais e deixou essa experiência como herança. Após se separar do marido e ficar responsável pelo sustento dos dois filhos, Emília encontrou no artesanato uma alternativa de renda. Hoje, a atividade se tornou sua única fonte de sustento, da qual consegue viver exclusivamente. “Eu comecei através da minha vó. Ela era uma grande bordadeira e me ensinou a fazer tricô e crochê. Ela me deixou essa herança”, conta.

Para Emília, participar de feiras como a Expoece representa uma oportunidade de divulgar suas peças, conquistar clientes e trocar experiências com outros trabalhadores. Ela também destaca a importância do apoio da Economia Popular e Solidária, que, segundo ela, abre caminhos para participar de novos eventos e fortalecer o trabalho coletivo. “É muito importante o incentivo que a gente tem da economia popular, que nos ajuda, nos orienta e nos dá oportunidade de participar de outras feiras. Eu adoro participar, me sinto realizada de trocar ideias e experiências”, afirma.
Natural de Paraipaba, Edmar Mendes trabalha com pirografia realista, técnica que utiliza o fogo para criar desenhos sobre a madeira. Desenhista e letrista de formação, ele encontrou na pirografia uma maneira de unir a experiência profissional à paixão pela arte. O trabalho começou por volta dos anos 2000, depois que conheceu a técnica por meio de outro artesão. Atualmente, a atividade também envolve a família: o filho participa da produção, enquanto a esposa trabalha com macramê, que complementa as peças. “Eu encontrei na pirografia uma forma de mostrar o meu desenho da maneira que eu gosto. A madeira passou a ser a minha tela”, conta.
Para Edmar, a participação em feiras é fundamental para dar visibilidade ao trabalho artesanal e aproximar os produtores de novos clientes. Ele destaca que esses espaços permitem que o público conheça técnicas e produções que, muitas vezes, permanecem pouco conhecidas fora dos eventos. “É aqui que a gente pode mostrar o nosso trabalho. Se não fosse isso, praticamente ficava meio escondido no lugar da gente e não era conhecido”, afirma. O artesão também convida o público a visitar a feira e conhecer a diversidade de produtos, mesmo sem a obrigação de comprar.
Sobre a Expoece
A 70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Estado do Ceará (Expoece) segue até o dia 8 de novembro de 2026, no Parque de Exposições Governador César Cals, em Fortaleza. Além de reunir criadores e representantes de diferentes segmentos do agronegócio, a feira oferece uma programação diversificada para todas as idades, incluindo exposição de animais, julgamentos, mostras especializadas, feira de adoção e opções de lazer.
Realizada pela Associação dos Criadores do Ceará (ACC) desde 1954, a Expoece chega à sua 70ª edição como a exposição agropecuária mais antiga e tradicional do estado. O evento mobiliza diferentes setores do agronegócio brasileiro, contando com mais de 4 mil animais em exposição, 359 empresas envolvidas e cerca de 2.500 postos de trabalho diretos e indiretos.