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A população de Fortaleza convive hoje com altos índices de crime em todas as áreas da capital. Porém, no bairro do Ancuri, onde um motorista da Uber, Guilherme Silva Maia, de de 22 anos foi assassinado no último domingo (23), a situação é ainda pior. Lá, por conta da “lei do crime” e as “regras” de acesso ao bairro, os Oficiais de Justiça são impedidos de entrar para cumprir os mandados da justiça.

Guilherme conheceu de perto essa realidade. O jovem perdeu a vida porque, ao entrar na região, não baixou as janelas do automóvel. Ele não foi a primeira pessoa que desrespeitou o que é imposto pelas facções criminosas, nas periferias cearenses. Assustada, uma oficial de Justiça se recusou a entregar mandados judiciais, no último dia 20 de julho.

A oficial, que não quer se identificar, deveria entregar os mandados nos bairros Tancredo Neves e Conjunto Tasso Jereissati. Porém ela acabou emitindo uma certidão justificando o não cumprimento do dever; segundo ela, o “fim da ‘paz’ entre facções criminosas reavivou o terror na área”, a impossibilita de realizar seu trabalho. “O que me inquieta é esta situação excepcional de imprevisibilidade, na qual, em qualquer horário em que estiver cumprindo ordens judiciais, é passível de acontecer algum episódio que atente contra a minha vida”, reforço.

Mas ela, também não é a única. Em um cumprimento de um mandado judicial no bairro José Walter, um filho de um oficial de Justiça, que o aguardava dentro de um veículo, foi baleado no braço e teve que ser socorrido, no dia 29 de maio deste ano. Como não houve assalto, o pai do rapaz acredita que a agressão se deu por briga entre facções criminosas locais.

O titular da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, explica a situação nesses bairros. Segundo ele, a motivação da morte é que, quando eles (criminosos) veem um carro que anda com o vidro fechado ou um motoqueiro que não tira o capacete, eles suspeitam que sejam membros de outra facção. No caso do motorista, os bandidos tiveram a ideia que seria alguém de um grupo rival e decidiram se antecipar.

A guerra entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE), pelo domínio do tráfico de drogas, tem se espalhado por todo o Ceará, sendo o principal responsável pela crescente de homicídios e pelo pavor da população.

O conflito nas periferias se intensifica justamente pela existência das leis impostas nos locais. As mesmas, são anunciadas – principalmente – em pichações. Agentes da segurança aconselham que o cidadão que não é da comunidade, não entre caso tenha essas pichações. Apesar do avanço das organizações criminosas e das “leis” que elas impõem em algumas comunidades, o secretário André Costa ressaltou que a Polícia vai a qualquer lugar para combater esses grupos. Ele destacou que a polícia tem atuado nos bairros com esse perfil e que, quando chegam, os criminosos se escondem.