A implantação da Faixa Azul — exclusiva para motociclistas — não configurou uma medida de segurança viária. É o que mostra estudo realizado pela Vital Strategies em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal do Ceará e o Instituto Cordial. O levantamento revela um aumento médio de 100% a 120% nos sinistros fatais em cruzamentos envolvendo motociclistas nas vias que receberam a sinalização.
De forma geral, não foram verificadas reduções estatisticamente significantes em outras ocorrências, e os dados indicam que a faixa estimula comportamentos de risco e excesso de velocidade. A análise, feita com drones, demonstrou que a Faixa Azul funciona como um “trajeto livre”, elevando sistematicamente as velocidades praticadas.
VELOCIDADE DOS MOTORISTAS
A velocidade média dos motociclistas saltou de 58,3 km/h para 72,2 km/h, um aumento de 23,8%. Nesses mesmos trechos, a probabilidade de um motociclista exceder os 60 km/h é de 81,1% na Faixa Azul, contra apenas 34,6% em vias de comparação. Já a parcela de motociclistas acima de 70 km/h chega a 55,4% na faixa exclusiva, ante 17,1% nas vias sem a sinalização.
MAIS CONFORTO PARA OS MOTORISTAS
A pesquisa qualitativa, baseada em entrevistas com 57 motociclistas entregadores entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, revelou uma ambivalência. Os condutores relatam maior senso de pertencimento, visibilidade e previsibilidade, sentindo que os motoristas de carros respeitam mais o espaço demarcado. Esse mesmo conforto estimula a alta velocidade e ultrapassagens arriscadas dentro do corredor.
As condições de trabalho — metas, prazos e baixa remuneração — também foram citadas como fatores que “empurram o sistema para o limite”, forçando os motociclistas a correrem mais, independentemente da infraestrutura.
Informações – Correio Braziliense
