O deputado federal Danilo Forte, que exerce atualmente o quinto mandato na Câmara dos Deputados, descartou a possibilidade de disputar uma vaga no Senado em 2026, disse trabalhar pela reeleição e afirmou que o seu partido, o União Brasil, se manterá aliado à oposição no Ceará.
Em entrevista ao Jornal Alerta Geral, Danilo afirmou que o momento político exige debate sobre alternância de poder e deixou claro que vê dificuldades quase intransponíveis para o União Brasil integrar um projeto liderado pelo PT no Estado.
ORIGEM DO UNIÃO E CONFLITO COM O PT
Segundo Danilo, a própria formação do União Brasil — fruto da fusão entre DEM/PFL, de perfil liberal, e PSL, de viés conservador — posiciona a legenda majoritariamente fora do campo petista. No Ceará, ele acrescenta, o partido ainda herdou parte do eleitorado tucano, o que reforça a identidade oposicionista.
‘’É praticamente impossível o União Brasil aderir a um projeto liderado pelo PT. Nós fomos colocados no campo da oposição, e não faz sentido mudar isso na reta final do processo eleitoral”, destaca Danilo, ao se referir ao contexto do União Brasil, que abriga atualmente aliados e opositores ao Governo do PT.
OPOSIÇÃO E SITUAÇÃO NO UNIÃO BRASIL
Danilo faz parte do bloco de oposição que tem, ainda, no Ceará, a deputada federal Dayany Bittencourt e, agora, o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. O grupo aliado ao Governo do Estado é representado no União Brasil pelos prefeitos de Maracanaú, Roberto Pessoa, e de Sobral, Moses Rodrigues.
A deputada federal Fernanda Pessoa, filha de Roberto, e o deputado federal Moses Rodrigues, filho de Oscar, são aliados aos Governos Estadual e Federal.
TENSÃO E BASTIDORES POLÍTICOS
O deputado também comentou movimentações políticas no interior do Estado, especialmente em Sobral. Segundo ele, alianças que reúnem antigos adversários no mesmo palanque tendem a gerar contradições e desgaste político.
“Não dá para comportar no mesmo guarda-chuva projetos antagônicos. Isso gera um estrupo político em alguns municípios”, avaliou, ao mencionar que esse tipo de composição já provoca dificuldades locais para lideranças que fizeram campanhas recentes em oposição ao PT.
SEGURANÇA E DESENVOLVIMENTO
Danilo Forte apontou o avanço do crime organizado como uma das principais mazelas do Ceará e defendeu uma reação mais firme do Estado. Segundo ele, organizações criminosas já atuam de forma contundente não apenas na violência, mas também na economia e até em processos de licitação pública.
“O crime organizado está entrando na política e na economia com muita força. Quem está no controle da máquina acaba acomodado, o que impede uma ação mais contundente”, criticou.
No campo econômico, Danilo defendeu que o Ceará precisa romper com a estagnação e explorar novas vocações, citando o potencial mineral do Estado e projetos parados, como o de Santa Quitéria. “O Ceará não pode ficar preso às coisas do passado. Há um clamor por mudança”, disse.
ENTUSIASMO DE CIRO
Durante a entrevista, Danilo Forte revelou que voltou a conversar recentemente com Ciro Gomes, a quem atribuiu entusiasmo e disposição para liderar um novo projeto político no Ceará. Segundo ele, Ciro demonstra energia semelhante à do movimento das mudanças que marcou a política cearense nos anos 1980.
“Notei nele muito entusiasmo, cheio de ideias e com vontade de liderar um novo ciclo”, afirmou Danilo, ao afirmar que os ciclos políticos se renovam naturalmente, e o União Brasil, segundo ele, tende a se encaixar novamente no campo oposicionista em 2026.
