Flávio Dino defende reformas no Judiciário, mas nega crise na Justiça brasileira

Foto: Gustavo Moreno/ STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (11/8) a necessidade de reformas no Poder Judiciário, mas negou que haja “crise terminal e apocalíptica” na Justiça brasileira.

Dino publicou texto nas redes sociais em comemoração aos 199 anos dos cursos de direito no Brasil. Também é comemorado o Dia do Advogado nesta data (11/8).

“Claro que há pontos negativos em tais instituições, porém é falso que existe uma ‘crise’ terminal e apocalíptica no mundo do direito, mormente [principalmente] no Judiciário”, escreveu o ministro.

Segundo Dino, opiniões de que haja tal crise ocorrem, na maioria das vezes, por “objetivos ideológicos, oportunismos político-eleitorais e interesses econômicos-financeiros”.

O magistrado disse acreditar que “reformas são sempre necessárias para que os profissionais do direito sirvam cada vez melhor à nossa nação” e destacou mudanças nas seguintes pautas prioritárias:

  • morosidade nos processos;
  • profissionais corruptos;
  • uso e abuso da inteligência artificial;
  • precatórios fabricados e utilizados para perpetração de crimes;
  • manutenção de “fundos” por profissionais do direito para lavagem de dinheiro (próprio ou de terceiros);
  • compra e venda de decisões judiciais; entre outros temas.

“É preciso ter perseverança e coragem, e lembrar sempre dos direitos fundamentais — sobretudo dos mais pobres —, assim como dos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência”, complementou.

Em abril, Flávio Dino apresentou proposta de 15 pontos para reforma no Judiciário, afirmando ser necessário mudar para “controlar abusos de poder”.

Em contexto de debate sobre normas do Judiciário brasileiro, o presidente do STF, Edson Fachin, criou em junho grupo de estudo para discutir as propostas de reforma.

O grupo deverá apresentar relatório até o fim do ano judiciário de 2026.