Fortaleza concentra o maior número de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) do Ceará. Segundo o relatório, a Capital possui 43 unidades fiscalizadas pelo Ministério Público, seguida por Caucaia, com 13, e Juazeiro do Norte, com oito.
Os dados mostram ainda que os abrigos da Capital acolhem 1.318 idosos. Desse total, 842 são mulheres e 421 homens. Entre as instituições visitadas, 29 recebem públicos mistos, 12 atendem exclusivamente mulheres e duas são voltadas apenas para homens.
O relatório também aponta que a maioria das instituições funciona próxima da capacidade máxima. As 43 ILPIs possuem, juntas, 1.425 vagas disponíveis, mas 1.318 já estavam ocupadas no momento das inspeções — o equivalente a apenas 10,7% de vagas restantes.
Outro ponto destacado é o perfil econômico dos abrigos. A maior parte das instituições cobra mensalidades de até três salários mínimos. São nove unidades com mensalidade de até um salário mínimo, outras nove entre um e dois salários e dez entre dois e três salários mínimos.
O documento avalia que essa concentração nas faixas mais baratas revela um cenário de pressão social e financeira, já que muitos idosos acolhidos dependem de aposentadorias ou benefícios assistenciais.
O levantamento também chama atenção para a ausência de equipamentos públicos municipais específicos para idosos em Fortaleza. O relatório afirma que a Capital não possui ILPIs nem Centros-Dia administrados pelo Município.
Entre os casos citados no relatório está a interdição da Casa de Repouso São Gabriel, no bairro Carlito Pamplona. Segundo o MP, o local funcionava em desacordo com normas técnicas e legais, acolhendo idosos e pessoas com deficiência em condições consideradas inadequadas.
As inspeções também identificaram instituições com pendências documentais, como ausência de licença sanitária, falta de registro em conselhos municipais e necessidade de adequações estruturais. Em alguns casos, o MP firmou Termos de Ajustamento de Conduta para regularização.
O relatório ainda cita um problema crescente em Fortaleza: idosos que permanecem em hospitais públicos mesmo após alta médica por não terem para onde ir. Segundo o documento, quase 50 idosos estavam nessa situação em 2025.
Com informações do Ministério Público do Estado do Ceará
