Girão volta a atacar aliança da direita com Ciro e diz que tucano é “esquerda raiz”

O senador Eduardo Girão (Novo), pré-candidato ao Governo do Ceará, voltou a subir o tom contra a aliança de setores da direita cearense com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), adversário na disputa pelo Palácio da Abolição. Durante o Encontro Nacional do Partido Novo, realizado neste sábado, em São Paulo, Girão afirmou que Ciro representa a “esquerda raiz” e alertou que o ex-presidenciável poderá “trair” o campo conservador no futuro.

“Tem turma que se diz de direita, que se diz conservadora, e está apoiando alguém que vai ser uma cobra para nos picar em 2030. Todo mundo sabe, no Ceará, que o Ciro Gomes é da esquerda raiz e tem um projeto de Brasil. Por isso a eleição do Ceará é muito importante”, declarou o senador.

Girão também pediu apoio dos militantes do Novo para fortalecer a oposição no Estado e disse contar com as orações dos simpatizantes para enfrentar a disputa eleitoral. O parlamentar é o nome apoiado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na corrida pelo Governo do Ceará.

Críticas à aliança do PL

As declarações reacendem o debate sobre a aproximação entre o PL cearense e Ciro Gomes, articulada pelo deputado federal André Fernandes, presidente estadual da legenda. Em maio, Fernandes anunciou apoio ao ex-ministro como estratégia para derrotar o grupo político liderado pelo PT no Ceará, afirmando que “toda ajuda é bem-vinda”.

Girão, porém, mantém o discurso de que a aliança é incompatível com os princípios da direita.

Em junho, o senador já havia criticado a decisão, afirmando que o PL deveria caminhar ao lado do Novo, partido que, segundo ele, faz oposição integral ao governo petista no Congresso Nacional.

Michelle x Flávio amplia desgaste

A aliança também provocou um racha dentro da família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro tornou público seu descontentamento com a aproximação do PL com Ciro Gomes e revelou ter sido “desrespeitada” e “maltratada” pelo senador Flávio Bolsonaro após manifestar posição contrária ao acordo político.

Segundo Michelle, Flávio afirmou que ela deveria ficar fora das decisões partidárias por “não entender de política”. A ex-primeira-dama também criticou publicamente a defesa da aliança feita por Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, acusando os três de atuarem de forma coordenada.

O episódio ampliou o desgaste interno no campo conservador justamente no momento em que as articulações para as eleições de 2026 entram na fase decisiva com o início das convenções partidárias. Enquanto Girão tenta consolidar sua candidatura pelo Novo, Ciro Gomes reúne o apoio de lideranças do PSDB, Cidadania e de parte da base bolsonarista no Ceará, tornando a disputa pelo Governo do Estado um dos cenários mais polarizados da eleição.