Criminosos estão aproveitando o lançamento do Novo Desenrola Brasil para aplicar golpes em consumidores interessados em renegociar dívidas. Segundo a empresa de cibersegurança Kaspersky, golpistas criaram um site falso semelhante ao portal oficial do Governo Federal para induzir vítimas ao pagamento de supostas taxas administrativas por meio do Pix.
De acordo com a investigação, o golpe começa com uma página que imita uma notícia do Ministério da Fazenda e promete descontos de até 96% para quitação de dívidas — percentual superior ao oferecido oficialmente pelo programa, que varia entre 30% e 90%. Em seguida, o usuário é orientado a informar o CPF para consultar uma suposta elegibilidade ao programa.
Após a inserção dos dados pessoais, o sistema falso simula análises de crédito e verificação de débitos em aberto. Na sequência, a vítima recebe uma mensagem de aprovação para renegociação e é incentivada a escolher o banco e o tipo de dívida que deseja renegociar. Os criminosos prometem ainda “limpeza do nome” em até cinco dias úteis e recuperação do acesso ao crédito.
O golpe termina com a cobrança de taxas inexistentes, como “taxa administrativa de adesão” e “taxa de processamento eletrônico”, no valor aproximado de R$ 92,80. O pagamento é solicitado via Pix, por meio de QR Code ou código “copia e cola”. Segundo a Kaspersky, os valores são transferidos para contas de “laranjas”, sem qualquer regularização das dívidas da vítima.
Especialistas alertam que o Novo Desenrola Brasil não cobra qualquer taxa para adesão. Diferentemente da edição de 2023, as renegociações neste ano são feitas diretamente entre o consumidor inadimplente e o banco onde o crédito foi contratado, sem intermediação de plataforma do governo.
O pesquisador da Kaspersky para a América Latina, Fabio Assolini, explica que os golpistas exploram o senso de urgência e a promessa de soluções rápidas para problemas financeiros. Já o especialista em prevenção a fraudes Rafael Garcia, da Fico, destaca que fraudes desse tipo se tornaram comuns em programas de grande alcance social e financeiro.
O Ministério da Fazenda reforça que os consumidores devem procurar diretamente as instituições financeiras e desconfiar de contatos feitos por telefone, WhatsApp, SMS ou links enviados por terceiros. O alerta é para acessar apenas canais oficiais hospedados no domínio “gov.br” e nunca realizar pagamentos antecipados para adesão ao programa.
Entre as recomendações de segurança estão verificar o endereço eletrônico do site, não compartilhar senhas, códigos de autenticação ou dados pessoais sensíveis, além de denunciar páginas falsas e contas Pix suspeitas às autoridades competentes.
