Governadores de oposição se reúnem no Rio para apoiar Cláudio Castro e defender ações mais duras contra o crime organizado

Governadores de estados da oposição desembarcam nesta quinta-feira (30) no Rio de Janeiro para manifestar apoio ao governador Cláudio Castro (PL) e defender medidas mais rígidas de enfrentamento ao crime organizado. O encontro acontece às 18h, no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense.

Depois de uma reunião virtual realizada ontem, os governadores decidiram se encontrar presencialmente com Cláudio Castro para prestar solidariedade ao chefe do Executivo do Rio de Janeiro e marcar posição política contra o governo federal.

O gesto é também uma demonstração de apoio às incursões policiais realizadas na última terça-feira, nos complexos do Alemão e da Penha, que resultaram na morte de 121 pessoas, entre elas quatro policiais, em operação contra integrantes do Comando Vermelho (CV).

AUSÊNCIA

A principal ausência será a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve ser representado pelo vice-governador Felício Ramuth.

Durante a reunião, os governadores devem discutir a formação de uma frente conjunta, proposta pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para pressionar o Congresso Nacional a aprovar o projeto de lei que equipara facções criminosas a grupos terroristas. A ideia é endurecer as punições e ampliar o poder de atuação dos estados contra o tráfico e as organizações criminosas.

O Palácio do Planalto é contrário à proposta, argumentando que as facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) têm motivações financeiras, e não ideológicas ou políticas — portanto, não se enquadram na definição de terrorismo.

PEC DA SEGURANÇA

Para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a alternativa mais eficaz seria a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, em tramitação desde abril, que centraliza o comando de crimes interestaduais na Polícia Federal. A proposta, porém, é rejeitada pelos governadores de oposição, que veem nela uma ameaça à autonomia dos estados sobre suas forças policiais.

Os oposicionistas também citam como precedente uma reunião realizada em maio entre representantes do governo dos Estados Unidos, à época de Donald Trump, e o Ministério da Justiça e Segurança Pública brasileiro, em que os norte-americanos chegaram a propor que PCC e CV fossem classificados como grupos terroristas — sugestão rejeitada pela pasta.