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Por mais um ano, o atendimento foi ampliado em diferentes setores do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce). Ao longo de 2016, foram registrados acréscimos nos números de doações de sangue e de coletas externas de medula óssea; renovada a certificação de qualidade ISO 9001:2008; publicadas pesquisas em revistas científicas internacionais, além de adotados novos padrões de tratamento nos ambulatórios de coagulopatias e hemoglobinopatias.

As doações de sangue passaram de 110.354 em 2015 para 110.445 no ano passado. Apesar de pequena, esta elevação aponta que a quantidade de inaptidões foi menor, pois o número de candidatos à doação sofreu um decréscimo: foram 149.742 ante 150.916 do período anterior.

Para a diretora geral da instituição, Luciana Carlos, a diminuição de candidatos inaptos deve-se às iniciativas de fidelização do doador. “Fazemos um trabalho contínuo para que a população doe ao menos duas vezes ao ano. Isto tanto diminui o número de inaptidões quanto reforça a segurança transfusional e traz maior eficiência ao serviço”, conclui.

ISO 9001

Essa melhoria constante foi um dos fatores que contribuiu para o êxito do Hemoce na certificação ISO 9001:2008, conferida a instituições no mundo todo que se destacam pela excelência de seus processos e serviços, após análises de resultados e auditorias que indicam se os critérios da Norma Internacional foram atendidos. A certificação ocorreu em 2015 e em 2016 o escopo do certificado foi ampliado, e agora abrange todas as áreas do Hemoce de Fortaleza.

A certificação da ISO ocorre em um ano e, nos dois seguintes, ocorrem novas auditorias para manutenção do sistema de qualidade. No quarto ano, a instituição precisa se submeter a todo o processo novamente. O Hemoce é a única unidade da rede pública de saúde do Estado com Certificação ISO 9001:2008, sendo a primeira conquistada em 2012.

Pesquisas publicadas no exterior

Um relato de caso acompanhado por uma equipe de pesquisadores do laboratório de imunohematologia do Hemoce foi publicado na capa da edição de janeiro de 2017 do British Journal of Haematology (BJH), umas das publicações científicas mais prestigiadas do mundo e a principal da Europa na área da hematologia.

O BJH deu destaque à descoberta, que consiste em uma paciente que tinha duas populações distintas de eritrócitos em seu sangue. Ou seja, possuía células sanguíneas com características diferentes das comuns ao seu grupo sanguíneo. A constatação desta duplicidade de tipagem sanguínea permitiu um diagnóstico precoce de leucemia.

O grupo responsável pela publicação é formado pelos médicos hematologistas do Hemoce e HUWC, Denise Brunetta, Jacques Kaufman, Luciana Carlos, Fernando Barroso e Lilian Albuquerque.

Em novembro de 2016, uma outra pesquisa realizada pelo Hemoce, com colaboração de pesquisadores da Colsan – Associação Beneficente de Coleta de Sangue de São Paulo e do Hemocentro de Campinas, ligado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi destaque em outra publicação científica de renome mundial, a revista Transfusion, dos Estados Unidos.

Nesta, houve a identificação e descrição de um tipo raro de sangue do sistema sanguíneo KELL que apresenta ausência de antígenos (substâncias capazes de levar a reações transfusionais e que interferem na compatibilidade sanguínea).  A alteração foi descrita pela primeira vez no mundo e foi destaque no Congresso da Associação Americana de Bancos de Sangue, que ocorreu em outubro de 2016 em Orlando, Flórida.

Participaram desta descoberta as pesquisadoras Denise Brunetta, Luciana Carlos, Tiê Costa, Vilany Silva e Patrícia Oliveira, pelo Hemoce; Diana Gazito e Carine Arnoni, pela Colsan; e Lilian Castilho, pela Unicamp.

Coletas externas e transplantes de medula óssea

As coletas de medula óssea alogênicas não-aparentadas (quando doador e receptor não têm parentesco) realizadas pelo Hemoce para serem transplantadas em outros estados ou países, saltou de cinco, em 2015, para 11, em 2016. Antes, o melhor resultado havia sido em 2013, quando houve seis coletas. O Hemoce começou a fazer este tipo de coleta em 2002 e, desde então, foram realizadas 27 coletas que resultaram em transplantes alogênicos (quando a medula é de outra pessoa), sendo 16 no Brasil e 11 para outros países: Estados Unidos, França, Itália, Portugal, Canadá, Argentina, Holanda e Turquia.

Além da coleta, o Hemoce também avançou nos transplantes de medula óssea, feitos em parceria com o HUWC. Ao todo, foram 67 transplantes, sendo 37 autólogos (com células do próprio paciente), 24 alogênicos aparentados, cinco alogênicos não aparentados e o primeiro haploidêntico (quando o doador não é totalmente compatível com o receptor). Este também foi o primeiro caso ocorrido no Ceará de doação feita pela mãe do paciente.

O Ceará é um dos nove estados do país capazes de fazer este tipo de tratamento. Desde 2008, a parceria entre o Hemoce e o HUWC resultou em 293 transplantes e 168.136 cadastros junto ao Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea – REDOME, órgão vinculado ao Instituto Nacional do Câncer (Inca). O Estado também possui uma taxa de sobrevida aos transplantes superior à media mundial: 95,3% contra 90%.

Atendimento ambulatorial

Nos seus dois principais ambulatórios – coagulopatias e hemoglobinopatias – o Hemoce oferece tratamento para pessoas portadoras de hemofilias, doença falciforme, Von Willebrand, entre outras. Elas contam com uma equipe multidisciplinar, com médicos, enfermeiros, farmacêuticos, dentistas e fisioterapeutas especializados. Ao longo de 2016, foram realizados 8.434 atendimentos em ambos, sendo 5.019 no de coagulopatias e 3.415 no de hemoglobinopatias.

Também foram adotados novos procedimentos que facilitam a vida dos portadores destas doenças, tais como o atendimento individualizado ao paciente hemofílico. Nele, os pacientes passam por uma avaliação dos hábitos e meios nos quais estão inseridos para que a equipe multidisciplinar do ambulatório faça uma adequação das condutas de tratamento caso a caso. Assim, são feitos estudos das atividades diárias de cada paciente, por meio de questionário de qualidade de vida e avaliação musculoesquelética, para adequação de tratamento.

Com informação da A.I