Cerca de 30% da população adulta brasileira convive com hipertensão arterial, muitas vezes sem diagnóstico. Silenciosa e frequentemente assintomática, a condição está entre os principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal, além de representar um peso crescente para o sistema de saúde.
A discussão ganha relevância no contexto do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, 26 de abril, e expõe um problema persistente no país: milhares de brasileiros descobrem a doença apenas quando surgem complicações cardiovasculares.
MORTES
Dados analisados pelo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, que investiga a morbimortalidade por hipertensão no Brasil entre 2006 e 2023, ajudam a dimensionar o impacto da doença no país. O levantamento aponta que, em escala global, a hipertensão está associada a cerca de 10,4 milhões de mortes por ano e a 218 milhões de anos de vida perdidos por incapacidade.
No Brasil, o estudo mostra que 6% de todos os óbitos registrados entre 2010 e 2023 tiveram relação com a hipertensão. Dentro desse grupo, 8,9% foram classificados como antecedentes ou condições associadas ao quadro que levou diretamente ao falecimento.
A análise histórica também indica um avanço na mortalidade relacionada à doença ao longo do período. A taxa passou de 183,5 óbitos por 100 mil habitantes em 2010 para 211,5 por 100 mil habitantes em 2023, com índices consistentemente mais elevados entre homens do que entre mulheres.
Diagnóstico tardio ainda é um dos principais gargalos
Apesar das campanhas de conscientização, especialistas apontam que o diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios no controle da doença no Brasil.
Na atenção primária à saúde, por exemplo, a proporção de pacientes cadastrados com hipertensão passou de 17,9% em 2019 para 22,2% em 2023, indicando um aumento significativo de casos identificados nos últimos anos.
Por outro lado, estudos epidemiológicos mostram que a prevalência tende a crescer com a idade, chegando a afetar mais da metade da população acima dos 65 anos.
Outono aumenta risco de doenças respiratórias, especialmente entre crianças
Paralelamente ao avanço das doenças crônicas, a chegada do outono também acende um alerta para o aumento de infecções respiratórias, especialmente entre crianças e idosos.
Nos últimos ciclos sazonais, o Ministério da Saúde registrou milhares de casos de síndromes respiratórias agudas graves no país, com impacto relevante na população infantil.
Entre as doenças que mais exigem atenção está a asma, condição que afeta aproximadamente 20 milhões de brasileiros e figura entre as principais causas de internação pediátrica.
