Homem é condenado a mais de 31 anos de prisão por matar enfermeira com 38 facadas em Fortaleza

A Justiça impôs a pena de 31 anos e 3 meses de prisão a Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, de 27 anos, pelo feminicídio da enfermeira Clarissa Costa Gomes, de 31 anos, assassinada em 9 de julho de 2025, no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza.

A condenação foi definida, nesta terça-feira (14), pelo Conselho de Sentença da 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, que acolheu integralmente a denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), reconhecendo as qualificadoras de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Além da pena de reclusão, o réu foi condenado a pagar R$ 40,5 mil de indenização por danos morais à família de Clarissa.

Os jurados acolheram integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), que acusou o réu de feminicídio qualificado por meio cruel e por recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

O julgamento havia começado na segunda-feira (13), mas precisou ser interrompido após o acusado passar mal no plenário. Segundo informações do processo, ele sofreu uma convulsão e bateu a cabeça, sendo levado a um hospital. Após atendimento médico e constatação de que não havia comprometimento de sua saúde, retornou ao Fórum Clóvis Beviláqua para a continuidade do júri.

Durante o interrogatório, Matheus confessou o crime e afirmou estar arrependido. Segundo seu relato, matou a namorada por medo de que ela encerrasse o relacionamento. De acordo com o acusado, o casal discutia porque Clarissa cobrava uma postura mais ativa dele em relação ao futuro profissional.

PERDA DE CONTROLE

O réu alegou que não havia planejado o assassinato e disse ter perdido o controle quando a vítima permaneceu em silêncio durante a discussão.

“Ela ficou calada, eu fiquei enfurecido e aconteceu”, afirmou em plenário. “Me arrependo muito. Espero que ela esteja ao lado do Senhor. Foi muito horrível o que eu fiz”, acrescentou.

Durante o julgamento, uma testemunha relatou que Clarissa frequentemente reclamava da falta de iniciativa do namorado, afirmando que ele tinha “preguiça” de trabalhar.

A promotoria destacou a extrema violência empregada no crime. O laudo da Perícia Forense apontou que a enfermeira sofreu 38 perfurações provocadas por faca, além de apresentar marcas de espancamento e lesões na cabeça.

IMAGENS DE CÂMERAS

Como parte das provas, o Ministério Público exibiu imagens de câmeras de segurança que mostram Matheus chegando à residência da vítima por volta das 11 horas e deixando o local aproximadamente às 15 horas, carregando uma mochila.

Familiares do réu afirmaram em depoimento que ele enfrentava quadros de depressão e ansiedade desde a adolescência e relataram episódios de violência doméstica praticados pelo pai contra ele e sua mãe. A defesa utilizou essas informações durante o julgamento, mas os jurados reconheceram a responsabilidade criminal do acusado e o condenaram pelas qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público.