Homem é preso após registrar no ChatGPT plano para matar o próprio filho e evitar pagamento de pensão

crédito: Jonathan Kemper/Unsplash

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu um homem de 36 anos acusado de planejar o assassinato do próprio filho, de apenas oito anos, para evitar o pagamento de pensão alimentícia. O caso ganhou repercussão nacional após a investigação revelar que o suspeito registrava detalhes do crime em conversas realizadas no ChatGPT.

A prisão foi efetuada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), na localidade de Farturinha, zona rural de São Gabriel da Palha, após um alerta emitido pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

De acordo com as investigações, a OpenAI, empresa responsável pela plataforma de inteligência artificial, identificou conteúdos preocupantes nas interações realizadas pelo suspeito e encaminhou as informações às autoridades norte-americanas, que acionaram o governo brasileiro.

Segundo a Polícia Civil, o homem utilizava a ferramenta como uma espécie de diário, descrevendo pesquisas e planejamentos relacionados ao crime, que, conforme os registros analisados, seria executado no dia 20 de junho.

Além da intenção de contratar um pistoleiro para matar o próprio filho, o investigado também teria mencionado planos para promover ataques contra escolas, igrejas e autoridades públicas.

O delegado Brenno Andrade, titular da DRCC, destacou que a cooperação internacional foi decisiva para impedir a concretização dos crimes.

“A empresa responsável pela plataforma encaminhou ao FBI informações de que o indivíduo realizava pesquisas constantes relacionadas à intenção de matar o próprio filho. O FBI compartilhou os dados com o CyberLab do Ministério da Justiça, que repassou o caso à Polícia Civil. Essa integração tem sido fundamental para o sucesso das investigações”, afirmou.

O suspeito foi abordado ao sair do trabalho e, segundo a polícia, não ofereceu resistência. Em depoimento, ele admitiu ter mantido conversas com a inteligência artificial, mas negou a intenção de matar o filho.

O aparelho celular do investigado foi apreendido e será submetido à perícia para verificar se houve tentativa de contratar terceiros para a execução dos crimes.

O delegado adjunto da DRCC, Ícaro Olímpio, afirmou que a gravidade do conteúdo exigiu resposta imediata das autoridades.

“Nas mensagens, ele relatava a intenção de contratar um pistoleiro para matar o próprio filho e afirmava possuir meios para cometer outros crimes violentos, inclusive ataques contra escolas, igrejas e autoridades”, explicou.

Segundo Olímpio, a denúncia chegou às autoridades brasileiras no dia 16 de junho. Como os registros apontavam que os crimes poderiam ocorrer no dia 20, a Polícia Civil acelerou as investigações e realizou a prisão no dia 19, evitando uma possível tragédia.

A Polícia Civil ressaltou ainda que conteúdos relacionados a atos extremos de violência são monitorados pelas plataformas digitais e podem ser compartilhados com órgãos de segurança pública.