Homens mais estressados no trabalho têm maior frequência de disfunção erétil, aponta pesquisa

Um estudo com 826 homens de 22 a 40 anos encontrou uma forte associação entre estresse no trabalho e disfunção erétil. Entre os participantes classificados no grupo de maior estresse, 54,37% apresentaram o problema, contra 8,21% entre aqueles com menor nível de estresse.

Publicada no periódico International Journal of Clinical Practice, a pesquisa foi feita com uma ferramenta de monitoramento de estresse que combina cinco fatores: horas de trabalho semanais, autonomia na tomada de decisões, apoio da supervisão, relacionamento com os colegas e pressão por promoção.

Homens que tiveram pontuação maior na escala obtiveram pontuações muito mais baixas em um questionário padrão sobre função erétil do que os homens que obtiveram a pontuação mais baixa.

Ao mesmo tempo, exames de sangue mostraram que o cortisol, o principal hormônio do estresse, aparecia com valores altos, enquanto a testosterona caiu significativamente.

Foram analisados 826 homens que trabalhavam, em tempo integral, no departamento de urologia de um hospital na China. Variando de idade entre 22 e 40 anos, os voluntários foram analisados entre março de 2022 e agosto de 2024.

Para descartar outras causas de problemas de ereção, a equipe excluiu homens com doenças, que tomavam medicamentos que afetam a função sexual ou que trabalham em turnos noturnos e rotativos.

Com ajuda da ferramenta, os pesquisadores conseguiram descobrir que apenas 8,21% dos homens “menos estressados” sofriam com algum tipo de disfunção erétil, enquanto 54,37% dos “estressadinhos” relataram problemas sexuais.

Isso significa que, após ajustes considerando idade, peso, fumo e ingestão de bebidas alcóolicas, homens no grupo com maior nível de estresse apresentaram 10,26 vezes mais chances de desenvolver disfunção erétil.

Cortisol subiu 74% nos mais estressados

Conhecido como “hormônio do estresse”, o nível de cortisol matinal mostrou um aumento vertiginoso entre os mais estressados: 74% a mais que nos mais “tranquilos”. Ao mesmo tempo, a testosterona caiu mais de um terço.

A análise estatística revelou, também, que as alterações no nível de cortisol foram responsáveis ​​por cerca de 40% da relação entre o estresse no trabalho e os problemas de ereção.